Cientistas fazem registro inédito do nascimento de sistema com vários planetas
Fformação de planetas um dos enigmas mais fascinantes e fundamentais para entendermos como sistemas como o nosso Sistema Solar nascem e evoluem.
O universo está repleto de enigmas, sendo a formação de planetas um dos mais fascinantes e fundamentais para entendermos como sistemas como o nosso Sistema Solar nascem e evoluem.
Um estudo revelado nesta 4°feira, 16, sobre uma estrela jovem chamada HOPS-315 trouxe novos insights sobre as etapas iniciais do surgimento de mundos parecidos com a Terra.
Situada a cerca de 1.300 anos-luz na constelação de Órion, HOPS-315 chama atenção por estar em uma das fases mais precoces de sua existência, contando com apenas algumas dezenas de milhares de anos de idade.
A análise ao redor dessa estrela foi possível graças a dois dos instrumentos astronômicos mais modernos: o telescópio espacial James Webb e o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Juntos, eles permitiram identificar sinais inéditos do início da formação dos minerais sólidos – etapa fundamental para a criação de futuros planetas rochosos.
O destaque dessa descoberta foi a obtenção de uma visão direta do momento no qual elementos básicos se transformam em sólidos, fase até então apenas prevista por modelos teóricos astronômicos.
O que são silicatos cristalinos e por que são importantes? Silicatos cristalinos são minerais formados principalmente por silício e oxigênio, organizados numa estrutura cristalina. Eles são um dos principais componentes das rochas terrestres e de muitos corpos do Sistema Solar.
Nas etapas iniciais dos discos protoplanetários, a formação de cristais de silicato marca o início da transição do estado gasoso para o sólido. Esses minerais servem como blocos fundamentais que, ao se agregarem, formam grãos e, posteriormente, objetos maiores como asteroides e planetas.
Portanto, identificar silicatos cristalinos em sistemas como HOPS-315 é essencial para entender como os primeiros materiais sólidos – e, por consequência, os planetas – se formam ao redor de estrelas jovens.
Como começa a formação planetária? Descobertas no disco de HOPS-315
Planetas surgem em discos conhecidos como protoplanetários, formados por poeira e gás que se acumulam ao redor de estrelas muito jovens. Nesse ambiente, com o tempo, podem surgir planetas completos.
No caso do sistema de HOPS-315, cientistas detectaram tanto gás de monóxido de silício (SiO) quanto cristais de silicato – elementos essenciais que dão origem aos primeiros grãos minerais sólidos.
A presença desses componentes indica que o ambiente do disco experimentou altas temperaturas, acima de 1.300 K, seguidas de um esfriamento que permitiu a transição do estado gasoso para o sólido.
Esse mecanismo é responsável por gerar blocos de material – sementes que, ao longo de milhões de anos, podem crescer para formar objetos como asteroides, luas e até planetas. Esse mesmo processo, segundo estudos, ocorreu também no começo do Sistema Solar, sugerindo que mundos terrestres podem se formar de maneira semelhante em diferentes pontos do cosmos.
"Pela primeira vez, identificamos o primeiro momento em que a formação de um planeta se inicia ao redor de uma estrela diferente do nosso Sol ", disse a líder da equipe e pesquisadora da Universidade de Leiden, Melissa McClure.
— Astronomiaum (@astronomiaum) July 16, 2025
Os resultados da equipe foram publicados na… pic.twitter.com/auHpzh6JTr
Por que a descoberta em HOPS-315 é relevante para a ciência?
Observar diretamente a formação dos primeiros sólidos em um disco como o de HOPS-315 marca um passo importante na astrofísica.
Até agora, embora soubéssemos da existência dos discos protoplanetários, faltavam evidências diretas do exato momento em que poeira e cristais começavam a se estruturar a partir do gás quente. Essa constatação oferece base para refinar modelos de formação planetária, tornando as simulações mais alinhadas com o que ocorre de fato no espaço.
O interessante é que os sinais identificados em HOPS-315 estão localizados em uma área semelhante ao cinturão de asteroides do Sistema Solar, o que reforça o paralelo entre o que aconteceu aqui e o que é observado ali.
No entanto, apesar das semelhanças, cada sistema evolui de uma maneira única. Mesmo assim, passo a passo, a ciência se aproxima de entender como ambientes propícios à vida podem surgir em diferentes regiões do universo.

O que as observações em HOPS-315 podem revelar sobre outros sistemas planetários?
A análise detalhada do disco ao redor de HOPS-315 abre o caminho para estudos comparativos entre estrelas jovens em diversos estágios de evolução.
Com os dados obtidos por meio do James Webb e do ALMA, agora é possível identificar, com precisão, onde as transições do gás para sólidos ocorrem, facilitando a busca por outros exemplos desse fenômeno em sistemas recém-formados.
Tal estratégia ajuda a identificar padrões universais no nascimento de planetas rochosos.
- Refino dos modelos teóricos: Acompanhar outras estrelas em etapas similares permitirá aperfeiçoar as hipóteses sobre a origem dos planetas.
- Busca por planetas habitáveis: Conhecer melhor a formação de mundos rochosos amplia as chances de descobrir exoplanetas com condições parecidas às da Terra.
- Compreensão da diversidade planetária: Comparar sistemas como HOPS-315 com o Sistema Solar revela como pequenos detalhes podem resultar em trajetórias evolutivas muito diferentes.
À medida que novas observações são feitas, os cientistas pretendem monitorar de perto HOPS-315 e buscar por outras estrelas em fases comparáveis.
O avanço tecnológico promete acelerar essas descobertas, tornando ainda mais claro o complexo processo de surgimento dos planetas.
Entender essas etapas é fundamental para ampliar nosso conhecimento sobre a origem de mundos, sejam eles próximos ou distantes, e para fortalecer a busca por outros lares possíveis no vasto universo.
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