Cidade romana da antiga Hispânia pronta para ser Patrimônio Mundial
O eventual reconhecimento da Unesco tende a ampliar o fluxo de visitantes e a visibilidade internacional do sítio, gerando oportunidades e riscos.
Localizada em Santiponce, na província de Sevilha, a antiga cidade romana de Itálica é considerada um dos cenários mais representativos da presença de Roma na Península Ibérica e busca integrar a Lista de Patrimônio Mundial da Unesco, destacando seu valor arqueológico e seu papel como espaço de representação do poder imperial.
Isso porque a cidade aparece hoje no centro de um debate internacional sobre preservação e memória histórica.
Itálica é uma cidade romana estratégica na Hispânia
A cidade de Itálica é entendida como uma cidade romana singular, com características que a diferenciam de outros centros da antiga Hispânia.
Fundada no século III a.C., em contexto de conflitos e expansão territorial, consolidou-se como núcleo estratégico militar, administrativo e símbolo da presença romana na região.
Mais tarde, Itálica tornou-se célebre por sua associação com Trajano e Adriano, imperadores nascidos na Hispânia que reforçaram seu peso político e simbólico.
A cidade ilustra como elites provinciais podiam ascender ao topo do poder imperial, conectando periferia e centro do Império Romano.
Itálica, el primer asentamiento romano de carácter permanente fundado en Hispania (206 a.C.), está de actualidad por dos motivos: los mosaicos de la Casa de Neptuno, mucho mayores de lo que se pensaba y su candidatura a Patrimonio Mundial de la UNESCO.
— César Dorado (@CDorado75) May 10, 2025
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Como Itálica se transforma em cidade cerimonial
Durante o século II d.C., o projeto urbano de Itálica passou por ampla reformulação, com traçado planejado, ruas largas e edifícios públicos de grande porte.
Essas intervenções visavam convertê-la em um centro cerimonial, adequado a rituais de culto imperial, desfiles oficiais, celebrações públicas e recepção de delegações da Península Ibérica.
Nessa fase, o anfiteatro de grandes dimensões, as termas monumentais e as residências luxuosas passaram a expressar a romanidade idealizada.
O conjunto arquitetônico funcionava como vitrine da cultura romana, projetando uma imagem de ordem, poder e prosperidade alinhada aos interesses do Império.
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Por que Itálica busca reconhecimento como Patrimônio Mundial
A candidatura de Itálica à Unesco apoia-se no argumento de que a cidade foi um laboratório de romanidade fora da Itália, onde se testaram modelos de arquitetura, urbanismo e propaganda política.
Ela é apresentada como chave para entender a relação entre Roma e a Hispânia, articulando controle territorial, integração cultural e legitimidade imperial.
O processo de inscrição exige um dossiê técnico elaborado por autoridades regionais e enviado ao Centro de Patrimônio Mundial, em Paris, pelo governo nacional.
Órgãos consultivos internacionais avaliam critérios como autenticidade, integridade e gestão do sítio, com visita in loco e pareceres técnicos que embasam a decisão final do comitê.
Quais elementos tornam a cidade cerimonial de Itálica singular
Um dos principais argumentos da candidatura é o caráter planejado da Itálica alto-imperial, desenhada como vitrine das formas de vida romanas.
A cidade combina espaços de poder, lazer e sociabilidade, refletindo tanto a vida cotidiana das elites quanto os rituais de culto imperial e de integração política.
Nesse contexto, alguns componentes são considerados centrais para compreender sua função simbólica e urbana dentro do Império Romano:
Quais desafios cercam o futuro da antiga cidade romana de Itálica
O eventual reconhecimento da Unesco tende a ampliar o fluxo de visitantes e a visibilidade internacional do sítio, gerando oportunidades e riscos.
De um lado, o turismo pode fortalecer a economia local, estimular a pesquisa arqueológica e impulsionar ações educativas em Santiponce e na região de Sevilha.
De outro lado, a pressão sobre o conjunto arqueológico exige controles rígidos para evitar danos físicos e perda de autenticidade.
Limitação de visitantes em áreas sensíveis, percursos guiados, recursos digitais de interpretação e programas de educação patrimonial são discutidos como meios de conciliar conservação, uso público e envolvimento da comunidade no cuidado de Itálica.
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