Chanceler alemão fala em “últimos dias e semanas” do regime do Irã
A ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, diz que pelo menos 648 manifestantes foram mortos durante os protestos no país
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta terça-feira, 13, que o mundo está testemunhando os “últimos dias e semanas” do regime do aiatolá Ali Khamenei, no Irã.
A declaração foi dada em meio a protestos generalizados no país e ao endurecimento da repressão aos manifestantes por parte das forças de segurança iranianas.
Segundo Merz, o regime iraniano carece de “legitimidade perante a população por meio de eleições”.
“Se um regime só consegue se manter no poder através da violência, então ele está efetivamente acabado. Presumo que estejamos testemunhando os últimos dias e semanas deste regime”, disse Merz durante uma visita diplomática à Índia.
Mortos em protestos no Irã
Segundo a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes, incluindo nove menores de 18 anos, foram mortos durante os protestos no Irã. Além disso, milhares de pessoas ficaram feridas.
A ONG estima que mais de 10 mil pessoas foram presas pelas forças de segurança nos últimos 16 dias.
“O assassinato generalizado de manifestantes civis nos últimos dias pela República Islâmica faz lembrar os crimes do regime na década de 1980, que foram reconhecidos como crimes contra a humanidade. O risco de execuções em massa e extrajudiciais de manifestantes é extremamente sério. Sob a Responsabilidade de Proteger, a comunidade internacional tem o dever de proteger manifestantes civis contra assassinatos em massa por parte da República Islâmica e do seu Corpo de Guardas Revolucionárias Islâmicas. Apelamos às pessoas e à sociedade civil dos países democráticos para que lembrem aos seus governos essa responsabilidade”, disse o diretor da Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam.
Pressão dos EUA
A presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira, 12, a imposição de uma tarifa de 25% a todos os países que façam negócios com o Irã.
A decisão foi tomada em meio aos protestos contra o regime iraniano do aiatolá Ali Khamenei.
Em sua rede Truth Social, o republicano publicou:
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto! PRESIDENTE DONALD J. TRUMP (TS: 12 de janeiro, 16h46 ET).”
O Brasil, que até agora não se manifestou sobre a violenta repressão iraniana aos protestos, tem o Irã como um de seus principais parceiros comerciais no Oriente Médio.
Em 2025, as exportações brasileiras para Teerã ultrapassaram 2,9 bilhões de dólares.
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