Bactéria “zumbi” da Nasa desafia a esterilização extrema
A chamada “bactéria que se finge de morta” é o microrganismo Tersicoccus phoenicis, adaptado a ambientes extremos
A descoberta da bactéria extremamente resistente Tersicoccus phoenicis em instalações superesterilizadas da Nasa reacendeu preocupações sobre contaminação biológica em missões espaciais e o transporte acidental de microrganismos entre planetas.
O que é a bactéria Tersicoccus phoenicis?
A chamada “bactéria que se finge de morta” é o microrganismo Tersicoccus phoenicis, adaptado a ambientes extremos e identificado em salas limpas usadas na montagem de sondas espaciais.
Suas células têm cerca de um micrômetro de diâmetro e não oferecem risco conhecido à saúde humana.
O nome científico remete às salas estéreis onde foi detectada e à sonda Phoenix, ligada à exploração de Marte.
Sua principal particularidade é reduzir drasticamente o metabolismo, entrando em dormência profunda e aparentando estar morta, o que dificulta sua detecção por métodos tradicionais.

Como a Tersicoccus phoenicis sobrevive em ambientes hostis?
A sobrevivência em ambientes rigorosamente controlados está ligada a estratégias de adaptação microscópicas, como a queda extrema da atividade metabólica, semelhante a uma hibernação celular.
Nesse estado, a bactéria consome pouquíssima energia e pode permanecer viável por longos períodos.
Pesquisadores sugerem que sua parede celular é reforçada, aumentando a resistência à desidratação, a produtos químicos, à radiação e ao calor.
Para organizar essas estratégias de sobrevivência, cientistas frequentemente destacam alguns mecanismos principais:
- Dormência profunda: metabolismo reduzido ao mínimo, mantendo a célula viável.
- Resistência estrutural: parede celular reforçada contra calor, radiação e desinfetantes.
- Seleção ambiental: apenas microrganismos mais robustos sobrevivem às rotinas intensas de limpeza.
Como funcionam as salas limpas da Nasa?
As salas limpas da Nasa são projetadas para minimizar partículas, poeira e microrganismos por meio do controle rigoroso de temperatura, umidade e fluxo de ar.
Filtros HEPA, pressão positiva e ciclos de desinfecção química e radiação ultravioleta são combinados para reduzir ao máximo a presença de vida microbiana.
Mesmo assim, estudos mostram que esses ambientes não são totalmente estéreis, abrigando centenas de espécies de bactérias e fungos, muitas ainda não descritas.
A manutenção desse controle envolve procedimentos padronizados e monitoramento frequente:
- Filtragem avançada do ar com filtros HEPA e fluxo laminar.
- Uso de roupas especiais, máscaras e luvas por toda a equipe.
- Aplicação rotineira de desinfetantes e luz ultravioleta.
- Coletas regulares e análise laboratorial de superfícies e do ar.
A Tersicoccus phoenicis pode ter chegado a Marte?
A possibilidade de a Tersicoccus phoenicis ter alcançado Marte é considerada em estudos sobre contaminação planetária.
Se tiver resistido aos processos de esterilização de sondas e módulos, poderia teoricamente ter sido transportada como “passageira” microscópica em missões interplanetárias.
Relatos de microrganismos sobrevivendo ao vácuo, à radiação e às variações extremas de temperatura em órbita reforçam essa hipótese.
Por isso, normas internacionais de proteção planetária vêm sendo constantemente atualizadas, com regras mais rígidas para qualquer equipamento que possa entrar em contato com regiões onde exista água líquida ou condições potencialmente habitáveis.
Quais cuidados são adotados para evitar contaminação planetária?
Para reduzir o risco de transporte acidental de microrganismos terrestres, agências espaciais seguem protocolos cada vez mais restritivos de limpeza, montagem e teste de sondas.
Esses cuidados são essenciais em missões que buscam sinais de vida em Marte, na Lua ou em luas geladas de outros planetas.
Entre as principais medidas estão limites máximos de carga microbiana em superfícies, escolha de materiais mais resistentes à esterilização, auditorias biológicas frequentes e o planejamento de trajetórias que evitem contato desnecessário com áreas possivelmente habitáveis em outros corpos celestes.
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