Autocensura? Humorista evitou sátira política no Globo de Ouro
Apresentadora da cerimônia optou por não polemizar sobre Donald Trump e ICE; disse que “assuntos políticos não têm graça”
A comediante Nikki Glaser preferiu não fazer piadas sobre o presidente Donald Trump e o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante a condução do Globo de Ouro no último domingo, 11. Em entrevista ao programa The Howard Stern Show, justificou a falta de pautas políticas por considerar que tais temas são chatos.
A controversa decisão de Glaser ocorreu em meio ao clima de tensão gerado pela morte de Renee Good, de 37 anos, vitimada por um agente da imigração. O incidente motivou protestos em diversas cidades americanas, enquanto o governo sustenta a tese de legítima defesa. Durante a premiação, figuras como Mark Ruffalo e Jean Smart usaram adereços com as mensagens “Ice Out” e “Be Good”.
Cortes e autocensura no palco
Uma das piadas descartadas envolvia o nome do órgão imigratório, que em inglês forma o acrônimo para “gelo”: “Eu ia chegar e dizer: ‘Estou ouvindo do bar que estamos sem gelo. E, sabe, a gente não precisa de gelo. Aliás, eu detesto gelo’”, relatou Glaser sobre o material vetado. Ela considerou que a abordagem soaria trivial diante da gravidade dos fatos.
A apresentadora também evitou mencionar a mudança de nome do Kennedy-Center para Trump-Kennedy Center, autorizada pela diretoria sem aval do Congresso. Glaser afirmou sobre o presidente que “você simplesmente não menciona o nome desse cara agora”. Segundo a comediante, o objetivo no momento da festa era “só quero dar um tempo” da temática política.
Outro corte envolveu a atriz Sidney Sweeney, citada pelo presidente em 2025 e alvo de polêmicas por uma publicidade de vestuário. Steve Martin teria proposto uma piada para o evento, mas recuou logo em seguida. O ator aconselhou Glaser a guardar distância de assuntos que envolvessem a política nacional durante o monólogo de abertura.
Críticas corporativas e transações comerciais
Apesar das omissões deliberadas, a apresentadora incluiu referências à lista de contatos de Jeffrey Epstein. O ex-financista era conhecido pela proximidade com Trump e por operar uma rede de crimes sexuais. Glaser direcionou críticas à Paramount, responsável pela transmissão do prêmio, por aceitar intervenções diretas da presidência.
A emissora CBS também foi alvo de ironia por ceder a pressões externas ligadas ao governo federal. A apresentadora mencionou a compra da Warner Bros. pela Netflix, transação que gera controvérsia no mercado audiovisual. O acordo comercial depende atualmente de autorização oficial das autoridades reguladoras dos Estados Unidos para ser concretizado.
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