Assad tem paradeiro desconhecido após fuga de Damasco
Um avião da Syrian Air partiu de Damasco pouco antes da tomada da cidade, mas fez uma curva repentina e desapareceu do radar
O ditador sírio Bashar al-Assad embarcou em um voo rumo a um destino desconhecido na madrugada deste domingo, 8 de dezembro, segundo dois oficiais do Exército sírio ouvidos pela Reuters.
A decolagem ocorreu enquanto rebeldes tomavam a capital, Damasco, destituindo Assad do poder após 24 anos no comando do país.
O paradeiro do ditador, assim como o de sua esposa Asma e seus dois filhos, permanece desconhecido. De acordo com dados do Flightradar, um avião da Syrian Air partiu de Damasco pouco antes da tomada da cidade pelos rebeldes. Inicialmente, a aeronave se dirigiu à região costeira, um reduto do apoio alauíta a Assad, mas fez uma curva repentina e desapareceu do radar.
A agência Reuters não conseguiu confirmar a identidade dos passageiros a bordo, mas duas fontes sírias indicaram que, caso Assad estivesse nesse avião, ele poderia ter sido morto. Se o avião desapareceu do radar, o transponder da aeronave pode ter sido desligado ou o avião pode ter sido abatido.
O único voo rastreável na madrugada de domingo partiu de Homs para os Emirados Árabes Unidos, mas isso ocorreu horas após os rebeldes capturarem a cidade.
A ofensiva rebelde, que culminou na queda do regime de Assad, foi anunciada em um pronunciamento televisionado.
Durante o discurso, os insurgentes afirmaram ter libertado todos os prisioneiros e apelaram para que a população preservasse as propriedades do Estado.
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) também confirmou a saída de Assad do país pelo aeroporto de Damasco, diante da ofensiva. Até o momento, o governo sírio não se pronunciou oficialmente sobre a situação, e a última comunicação pública da presidência foi no sábado.
A queda de Assad
A queda do regime de Assad foi anunciada por forças rebeldes, que declararam a “libertação de Damasco” após uma ofensiva que encerrou cinco décadas de domínio da família Assad.
De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, Assad teria deixado o país pelo aeroporto de Damasco antes que as forças de segurança abandonassem o local.
Desde 2015, o regime sírio vinha reconquistando território com apoio militar da Rússia, do Irã e do grupo libanês Hezbollah. No entanto, a pressão internacional e o desvio de recursos russos para a guerra na Ucrânia enfraqueceram a capacidade de defesa de Assad.
A ofensiva que culminou na queda de Assad, liderada pelo grupo jihadista Hayet Tahrir al-Sham (HTS), avançou rapidamente desde o início de dezembro, conquistando cidades estratégicas como Homs e subúrbios de Damasco.
Esse é o maior revés militar sofrido pelo regime sírio desde o início da guerra civil em 2011, que já causou mais de 500 mil mortes.
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