Arquivos do caso Epstein mostram influência de Steve Bannon sobre os Bolsonaro
Diálogos de 2018 indicam que estrategista da direita internacional trabalhava pela campanha de Jair Bolsonaro fora do conhecimento público
Steve Bannon, estrategista de movimentos da direita global, discutiu a necessidade de ocultar sua atuação na campanha de Jair Bolsonaro em 2018. Mensagens obtidas em arquivos do caso Jeffrey Epstein foram publicadas pelo governo de Donald Trump nesta sexta-feira, 30. Os registros apresentam conversas ocorridas em outubro daquele ano, logo após o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil.
Os documentos mostram diálogos entre Bannon e um interlocutor não identificado, cujos indícios apontam ser o financista Jeffrey Epstein. Em um dos trechos, a pessoa questiona Bannon sobre o fato de o candidato brasileiro negar publicamente vínculos com ele. O interlocutor mencionou que preferiria ver um acessório com a sigla “MBGA”, provável referência ao lema “Make Brazil Great Again”.
Bannon afirmou na conversa que precisava “manter a coisa do Jair nos bastidores”, e justificou dizendo que sua influência resultava do fato de não possuir defensores públicos. Na mesma troca de mensagens, ele declarou ser próximo da equipe brasileira e relatou que os integrantes do grupo desejavam sua consultoria.
Articulação estratégica e cenário econômico
O material divulgado expõe o interesse dos interlocutores no potencial econômico e político do Brasil. O interlocutor de Bannon descreveu o país como um ponto de mudança para o cenário externo. O texto cita o Produto Interno Bruto brasileiro e a ausência de pressões de organismos internacionais como fatores positivos para a gestão econômica.
A política na América do Sul recebeu uma comparação com um jogo de cartas aleatório. “Diferente da Europa e o jogo de bridge, América do Sul é mais tipo joga as 52 para o alto e pega”, escreveu a pessoa identificada como Epstein. Bannon respondeu mencionando o conceito de massa crítica e a vantagem de deter influência sobre o Brasil e nações europeias.
A relação de Bannon com a família do então candidato incluía contatos diretos com Eduardo Bolsonaro. O filho do ex-presidente encontrou o ideólogo em Nova York, em agosto de 2018. Naquela data, o parlamentar descreveu Bannon como um entusiasta da candidatura do pai e previu uma união de forças contra correntes ideológicas de esquerda.
Os registros indicam conversas sobre a segurança de uma visita de Bannon ao território brasileiro antes da votação definitiva. Os diálogos envolvem citações a Miroslav Lajcak, ex-ministro das Relações Exteriores da Eslováquia. Epstein questionou o diplomata se o estrategista deveria aguardar o fim do processo eleitoral para realizar a viagem
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)