Arqueólogos encontram jarro lotado com milhares de moedas de bronze romanas de 1.800 anos
Descoberta é considerada um dos maiores tesouros monetários da região, fundamentais para entender poupança, circulação de riqueza e respostas a crises no fim do Império Romano.
Entre camadas de terra de um pequeno vilarejo francês, arqueólogos identificaram um antigo bairro romano preservado sob séculos de ocupação e no meio de casas queimadas, pátios destruídos e estruturas reaproveitadas, chamou a atenção três grandes jarros de cerâmica enterrados, cheios de moedas de bronze e cobre do século III d.C.
Essa descoberta é considerada um dos maiores tesouros monetários da região, fundamentais para entender poupança, circulação de riqueza e respostas a crises no fim do Império Romano.
O que revela o tesouro de moedas romanas encontrado em jarros?
Considerado como o “tesouro de moedas romanas”, os especialistas sugerem que a função dos jarros ia além de uma “fortuna escondida”.
Cada vasilha foi enterrada com cuidado, com o corpo no solo e o pescoço alinhado ao piso, permitindo acesso direto a partir do interior das casas, como um depósito de uso recorrente.
Em pelo menos um dos jarros, o peso estimado chega a quase 40 quilos, talvez mais de 20 mil moedas de bronze e cobre, muitas ligadas ao Império Gálico do século III d.C.
A concentração desse numerário indica grande capacidade de acumulação, intensa circulação de pequenas moedas em pagamentos diários e uma estratégia doméstica de proteção de riqueza em tempos instáveis.
[Retour en images 2025 📸] Un quartier d’habitation de l’agglomération antique de Senon (Meuse)
— Inrap (@Inrap) December 27, 2025
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Como funcionava esse banco doméstico romano?
A análise da disposição das peças e dos vestígios ao redor leva à hipótese de um verdadeiro banco doméstico.
Em vez de um único depósito feito às pressas, as famílias provavelmente adicionavam e retiravam moedas ao longo do tempo, tratando os jarros como cofres embutidos no piso das casas.
Algumas moedas aderidas à parte externa de dois jarros, lançadas quando eles já estavam enterrados, reforçam essa prática contínua de uso.
Esse padrão se alinha ao perfil de moradores com certo conforto econômico — artesãos especializados ou comerciantes — acostumados a manejar quantias significativas em espécie no cotidiano urbano romanizado.
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Como era o bairro romano onde o tesouro foi escondido?
O bairro integra o processo de transformação de um assentamento celta em pequena cidade romana, com sucessivas fases de ocupação.
Das primeiras construções em madeira e argila, o local evolui para quarteirões com ruas pavimentadas, casas de pedra e sistemas de aquecimento por hipocausto, refletindo crescente urbanização e investimento em infraestrutura.
As escavações mostram um ambiente denso e funcional, onde o reaproveitamento de materiais era constante e a vida doméstica se misturava ao trabalho. Entre as principais características identificadas estão:
- Casas de alvenaria com cômodos separados e pisos preparados com cal e fragmentos de telhas;
- Hipocaustos para aquecimento em alguns ambientes residenciais;
- Pátios internos usados como oficinas, áreas de serviço e pequenos espaços produtivos;
- Uso intensivo de pedras e colunas reaproveitadas de edifícios públicos desativados.
Por que o tesouro de moedas romanas foi esquecido?
O desaparecimento do bairro está ligado a pelo menos dois grandes incêndios entre o final do século III e meados do século IV d.C.
Em um primeiro momento, os moradores retornam, reaproveitam porões e colunas de edifícios abandonados e provavelmente mantêm ou intensificam o uso dos jarros como depósitos monetários domésticos.
Um novo incêndio, por volta da metade do século IV, provoca o abandono definitivo do setor.
As casas desabam, os pisos caem sobre os jarros e o tesouro de moedas romanas permanece enterrado e esquecido sob camadas de cinzas, entulho, solos agrícolas e plantações até ser redescoberto por escavações preventivas modernas.
Qual é a importância do tesouro de moedas romanas para a pesquisa?
O volume de moedas e seu contexto urbano bem documentado fazem desses jarros uma fonte central para o estudo da economia e do cotidiano na Antiguidade Tardia.
A análise de metal, inscrições, peso e emissões imperiais permite reconstruir ritmos de circulação monetária, episódios de desvalorização e níveis de confiança em diferentes governantes.
Como o tesouro está diretamente associado a ruas, casas, oficinas e sinais de abandono progressivo, ele conecta dados econômicos a mudanças concretas na vida urbana.
Assim, os jarros cheios de moedas registram escolhas financeiras, estratégias familiares de guarda de patrimônio e formas de enfrentar crises em uma região de fronteira do Império Romano.
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