Arqueólogos encontram cidade maia perdida de 1.200 anos na floresta
Escondida sob a floresta tropical de Campeche, no sudeste do México, a grande cidade maia de Valeriana foi identificada
Escondida sob a floresta tropical de Campeche, no sudeste do México, a grande cidade maia de Valeriana foi identificada em 2024 por meio de dados ambientais reinterpretados com tecnologia Lidar, revelando um centro urbano denso e complexo antes desconhecido.
Como o Lidar tornou possível revelar Valeriana
Lidar (Light Detection and Ranging) é uma técnica de sensoriamento remoto que lança pulsos de laser a partir de aeronaves e mede o tempo de retorno da luz.
Isso permite “remover” virtualmente a vegetação e expor o relevo e estruturas construídas sob a copa das árvores.
Em Campeche, o mapeamento de cerca de 260 km² revelou pirâmides, plataformas, praças e vias elevadas, comparáveis em densidade urbana a Calakmul.
Essa tecnologia condensou em poucos anos o equivalente a décadas de trabalho de campo tradicional.
Valeriana, Campeche.
— MoundLore (@MoundLore) January 8, 2026
People keep calling it a “lost” Maya city.
That’s wrong and convenient.
It wasn’t discovered in the jungle.
It was discovered when someone finally opened a dataset that had been sitting there for years. pic.twitter.com/7PVvtBemcm
Como a cidade maia de Valeriana foi identificada
Valeriana surgiu em dados de monitoramento florestal que não haviam sido produzidos para fins arqueológicos.
Com filtros específicos, apareceram traçados geométricos típicos de um centro urbano, como quarteirões, avenidas e estruturas monumentais.
Estima-se que a cidade tenha abrigado entre 30 mil e 50 mil habitantes entre 750 e 850 d.C.
Foram mapeados templos piramidais, duas grandes praças, arena de jogo de bola maia e reservatórios de água com possíveis barragens planejadas para enfrentar períodos de seca.
Quais são as principais características urbanas de Valeriana
Os pesquisadores descrevem Valeriana como um possível centro com características de capital, devido à concentração de construções monumentais e à organização do espaço.
Dois núcleos principais, separados por cerca de 2 km, são conectados por áreas residenciais e calçadas.
Para sintetizar o que já se sabe sobre a configuração urbana de Valeriana, os especialistas destacam alguns pontos estruturais relevantes:
- Área estimada: cerca de 16,6 km², com milhares de edificações.
- População no auge: projeção de 30 mil a 50 mil pessoas.
- Estruturas: pirâmides, praças, arena de jogo de bola, plataformas residenciais.
- Infraestrutura: calçadas, reservatórios, possíveis barragens.
- Localização: próxima à rodovia e ao vilarejo de Xpujil, em Campeche.

O que a ocupação de Valeriana indica sobre clima e colapso maia
Estudos em Valeriana se somam a pesquisas que relacionam o colapso de várias cidades maias, a partir de 800 d.C., a fatores ambientais e sociais combinados.
Muitas dessas cidades eram densamente povoadas e dependiam de complexos sistemas de manejo de água e solo.
Entre as hipóteses mais discutidas estão secas recorrentes, pressões sobre reservatórios e agricultura, alta densidade urbana, conflitos políticos entre cidades-Estado rivais e, mais tarde, impactos da conquista europeia, como guerras, doenças e reorganização forçada do território.
Quais são as perspectivas para novas descobertas com Lidar na Mesoamérica
A aplicação recente do Lidar em Campeche indica que muitas outras cidades maias podem estar ocultas sob a vegetação.
Em poucos anos, foi possível mapear uma área muito maior do que a estudada por arqueólogos ao longo de quase um século de trabalho tradicional.
Para os próximos anos, espera-se o uso combinado de Lidar, imagens de satélite e inteligência artificial, permitindo refinar a detecção de estruturas e priorizar áreas de pesquisa.
Valeriana se torna, assim, um caso emblemático do potencial dessa abordagem para revelar novos centros urbanos mesoamericanos.
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