Argentina investe em submarinos e renasce a Marinha
A compra de submarinos da classe Scorpène pela Argentina marca uma mudança no cenário de defesa do Atlântico Sul,
A compra de submarinos da classe Scorpène pela Argentina marca uma mudança no cenário de defesa do Atlântico Sul, ao recompor a capacidade de dissuasão submarina perdida desde 2017.
Por que o submarino Scorpène é considerado estratégico
O submarino Scorpène é uma plataforma de ataque diesel-elétrica, projetada para operações discretas em profundidade e em diferentes cenários.
Com alto grau de automação, reduz a tripulação necessária e otimiza o emprego de sensores e sistemas de combate integrados.
Com deslocamento entre 1.600 e 2.000 toneladas e cerca de 70 metros de comprimento, o Scorpène opera além de 300 metros de profundidade e pode alcançar aproximadamente 20 nós submerso.
Esse equilíbrio entre porte, furtividade e mobilidade o torna apto a patrulha, inteligência e proteção de rotas marítimas estratégicas.

Como o Scorpène fortalece a defesa marítima da Argentina
A Zona Econômica Exclusiva argentina supera 1,7 milhão de km², com intensa atividade pesqueira, potencial energético e tráfego mercante.
Sem submarinos desde o ARA San Juan, a capacidade de fiscalização em áreas distantes foi severamente reduzida, enfraquecendo a dissuasão e o controle de recursos.
Com três unidades Scorpène, a Marinha poderia manter um ciclo contínuo de manutenção, treinamento e operação, garantindo presença constante no mar.
A autonomia de cerca de 70 dias e até 12 dias em imersão contínua, sobretudo com módulos AIP, aumenta a incerteza para quem pretenda atuar ilegalmente em águas argentinas.
Principais capacidades militares do submarino Scorpène
Do ponto de vista militar, o submarino Scorpène combina furtividade, autonomia e poder de fogo em um navio de médio porte.
Sistemas como o SUBTICS integram radares, sonares, guerra eletrônica e comunicações, proporcionando consciência situacional decisiva em cenários de alta ameaça.
Essas capacidades se traduzem em múltiplas funções operacionais, que vão da defesa de áreas sensíveis ao ataque de alto valor estratégico:
- Propulsão: sistema diesel-elétrico, com opção de módulo AIP para maior permanência submersa.
- Armamento: seis tubos de 533 mm para torpedos pesados, mísseis antinavio e minas, com até 18 armas.
- Sensores: sonares de casco e rebocado, periscópios optrônicos e sistemas eletrônicos de apoio.
- Tecnologia: possibilidade de baterias de íon-lítio em versões mais recentes, ampliando desempenho.
📍#Argentina / #France (🇦🇷/🇫🇷)
— SA Defensa (@SA_Defensa) December 9, 2025
The @Armada_Arg is confirmed to be moving forward with the purchase of 3x Scorpène-class submarines.
Argentina is currently seeking financial loan or payment plan to pay for the multi-billion dollar order. https://t.co/b3jSpcpKvr pic.twitter.com/wa4oG1EotV
Impactos regionais no Atlântico Sul
A entrada em serviço de Scorpènes na Argentina tende a alterar o equilíbrio naval no Atlântico Sul, aproximando suas capacidades das do Brasil, que já opera derivados dessa classe.
Isso cria oportunidade para cooperação técnica, exercícios conjuntos e maior interoperabilidade em operações multinacionais.
Plataformas semelhantes podem facilitar acordos de apoio logístico, treinamento cruzado de tripulações e compartilhamento de experiências operacionais.
Ao mesmo tempo, aumentam a relevância estratégica do Atlântico Sul, exigindo coordenação política e diplomática para evitar percepções de corrida armamentista.
Desafios para a Marinha e a indústria naval argentina
O projeto depende de financiamento internacional, geralmente via bancos europeus e agências de fomento à exportação de defesa, o que exige estabilidade fiscal e compromissos de longo prazo.
A previsibilidade orçamentária será crucial para garantir cronogramas de entrega e suporte ao ciclo de vida dos submarinos.
A transformação do estaleiro Tandanor em polo de manutenção e apoio logístico demanda investimentos em infraestrutura, capacitação técnica e formação de mão de obra especializada.
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