Após 100 anos desaparecido, o “Caranguejo Gigante” retorna
Diferente de outros caranguejos, passa a maior parte da vida em terra firme, circulando em áreas de vegetação costeira e coqueirais.
O reaparecimento de um caranguejo-dos-coqueiros gigante na costa da Índia, em julho de 2025, após cerca de 100 anos sem registros na região, levou cientistas, autoridades e comunidades litorâneas a monitorarem de perto a espécie.
O que é o caranguejo-dos-coqueiros
O caranguejo-dos-coqueiros (Birgus latro) é o maior artrópode terrestre conhecido, famoso pelas garras capazes de quebrar cocos.
Diferente de outros caranguejos, passa a maior parte da vida em terra firme, circulando em áreas de vegetação costeira e coqueirais.
Esse caranguejo gigante pode ultrapassar 4 quilos e atingir cerca de 1 metro de envergadura com as pernas estendidas.
Alimenta-se de cocos, frutos, sementes, restos orgânicos e pequenos animais, atuando como reciclador de nutrientes e dispersor de sementes no ambiente.

Por que o caranguejo-dos-coqueiros ficou ausente da Índia
Estudos históricos indicam que o caranguejo-dos-coqueiros já foi mais comum em ilhas e trechos do litoral indiano, mas desapareceu gradualmente.
A caça para consumo e comércio regional reduziu as populações, sobretudo dos maiores indivíduos reprodutivos.
A transformação do ambiente costeiro também contribuiu para o sumiço da espécie, com perda de áreas de abrigo e aumento de predadores introduzidos.
Entre os principais fatores apontados pelos pesquisadores, destacam-se:
- Exploração intensa para alimentação e uso comercial.
- Desmatamento de restingas, manguezais e coqueirais nativos.
- Aumento de predadores como ratos e cães nas áreas de desova.
- Expansão urbana e turística sobre o habitat natural do crustáceo.
O que o ressurgimento indica sobre os ecossistemas costeiros
O registro do caranguejo-dos-coqueiros na Índia em 2025 é avaliado como possível sinal de mudanças nas condições ambientais litorâneas.
Alguns especialistas relacionam o retorno a políticas de proteção costeira, criação de áreas de preservação e maior fiscalização sobre pesca e ocupação irregular.
Também são consideradas hipóteses ligadas ao clima e à dispersão natural, como alterações na temperatura e salinidade das águas, que favoreceriam a chegada de larvas, e movimentos migratórios a partir de ilhas vizinhas, somados à redução local da caça e captura.

Quais são os impactos potenciais para comunidades e ecossistemas
Moradores e pescadores observam o retorno do caranguejo terrestre gigante com curiosidade e cautela.
O animal pode interagir com plantações de coqueiros, hortas e equipamentos de pesca armazenados próximos à praia, gerando preocupação com possíveis danos materiais.
Ao mesmo tempo, o crustáceo pode trazer benefícios ecológicos ao consumir frutos caídos e animais mortos, ajudando na ciclagem de nutrientes.
Em manguezais e coqueirais, sua atividade contribui para manter a estrutura do solo e o equilíbrio da cadeia alimentar local.
Quais ações podem ser adotadas para manejar a presença da espécie
Para equilibrar conservação da espécie e atividades humanas, especialistas defendem um conjunto de medidas práticas. Essas ações visam preservar o caranguejo-dos-coqueiros e, ao mesmo tempo, organizar o uso econômico e social das áreas onde ele ocorre.
- Monitorar populações e mapear áreas de reprodução e abrigo.
- Promover campanhas educativas sobre a importância ecológica da espécie.
- Estabelecer normas para coibir captura e comércio irregulares.
- Planejar turismo de observação com limites de visitação e regras claras.
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