Anistia na Venezuela liberta opositor preso após eleições de 2024
Freddy Superlano teve tornozeleira retirada e foi solto após 19 meses de detenção, beneficiado por lei do governo interino de Delcy Rodríguez
O político venezuelano Freddy Superlano, um dos nomes da oposição ao chavismo, recuperou a liberdade na Venezuela após quase 19 meses preso, beneficiado pela lei de anistia promovida pelo governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência do país depois da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro de 2026.
A tornozeleira eletrônica que Superlano usava foi retirada por agentes em uma cerimônia registrada em vídeo e divulgada pelo próprio político, de 49 anos: “Hoje, depois de quase 19 meses, recuperamos nossa liberdade, aquela que nos tiraram por pensar diferente e defender nossas convicções, e que, em nenhum momento, eu hesitaria em continuar defendendo”, escreveu Superlano na rede social X.
Trajetória de detenção
Superlano foi preso dois dias após a reeleição de Maduro, em julho de 2024, cercada de contestações tanto da oposição quanto de organismos internacionais. Durante o período de detenção, passou pelo Helicoide – centro de “inteligência” venezuelano, apontado por organizações de direitos humanos como local de tortura – e pela prisão de Rodeo I.
Em fevereiro de 2025, foi solto em regime condicional, com restrição de circulação ao estado de Barinas. A liberdade plena só veio semanas depois, com a revogação de todas as medidas coercitivas, conforme a notificação lida por um policial no vídeo divulgado pelo opositor.
Oposição ao chavismo
A trajetória de Superlano é marcada pelo embate com o chavismo. Em 2021, venceu a eleição para o governo de Barinas, estado natal de Hugo Chávez e reduto histórico do movimento bolivariano, mas foi declarado inelegível politicamente antes de tomar posse. Entre 2016 e 2021, exerceu mandato como deputado na Assembleia Nacional e atuou como coordenador regional do partido Vontade Popular.
Às vésperas das eleições presidenciais de 2024, trabalhou ao lado da líder opositora María Corina Machado na articulação da campanha de oposição ao governo Maduro. A prisão, dois dias após o resultado eleitoral, foi interpretada por aliados como uma retaliação direta à sua atuação naquele processo.
Ao saber da anistia concedida a Superlano, Juan Pablo Guanipa, dirigente da oposição e colaborador de Machado – ele próprio anistiado na semana anterior – publicou uma mensagem de apoio: “Em liberdade plena, nosso irmão!”
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