A Shell está prestes a vender os seus postos de gasolina
Raízen planeja vender operações na Argentina, envolvendo refino e 650 postos Shell, atraindo investidores globais
O movimento de empresas internacionais decidindo abandonar o mercado argentino se intensificou nos últimos anos. Grandes nomes como Latam, Walmart e, mais recentemente, Carrefour, se juntaram a essa lista. Agora, o gigante energético Shell está considerando deixar a Argentina. Essa virada estratégica é liderada pela Raízen, o conglomerado brasileiro que administra esses ativos, e que pode concretizar a venda antes do final de 2025.
A decisão de saída da Raízen não chega a ser uma surpresa total. Fatores econômicos e dificuldades para repatriar dividendos pesaram nessa decisão. Além disso, ao observar que a operação argentina gera poucas sinergias com os principais interesses do negócio do conglomerado no Brasil, o desfecho parece ainda mais compreensível. A Raízen, uma empresa formada por Cosan e Shell, é focada principalmente em energia e logística, com operações mais centralizadas no país vizinho.
O que significa essa saída para o mercado local?
A atuação da Raízen na Argentina não é pequena: são 650 postos de combustíveis e uma refinaria em Dock Sud que fazem parte do portfólio. Essas instalações processam grandes quantidades de petróleo diariamente e têm impacto significativo na oferta local de combustíveis. Além disso, a Raízen ocupa a segunda posição no mercado de gasolina e diesel, o que ressalta a importância desse movimento na dinâmica do setor.

Quem pode ter interesse em comprar esses ativos?
Dentre os potenciais compradores, destaca-se a Trafigura, operadora da marca Puma Energy na Argentina, que já administra uma ampla rede de postos e uma refinaria em Bahía Blanca. Além disso, o gigante estatal saudita Aramco e vários grupos norte-americanos estão avaliando uma possível entrada no mercado argentino. Esses players enxergam em Vaca Muerta e nas políticas liberais do presidente Javier Milei uma oportunidade atrativa para expandir seus negócios.
Raízen e os motivos por trás da saída
A escolha de sair vai além das questões financeiras. Anos de operação em um mercado volátil desgastaram a posição da Raízen. Apesar de investidores esperarem um desempenho mais robusto, a situação financeira atual no Brasil exige uma revisão profunda de seus ativos regionais. As negociações com a Saudi Aramco, embora não tenham avançado, refletem os esforços da companhia para tornar viável sua permanência na Argentina.
O setor energético argentino enfrenta mais uma potencial mudança importante com a possível saída da Raízen. As consequências dessa decisão devem impactar a economia, o emprego e, com certeza, a oferta de energia no país. Resta saber se outro grande player do setor irá assumir o lugar da Shell, mantendo a forte presença desse segmento no mercado argentino.
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