“A Groenlândia não quer ser propriedade dos EUA”, diz premier do país
Governo groenlandês conta com apoio da Otan para garantir autonomia diante da pressão de Washington por anexação do território ártico
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou em Copenhague que os groenlandeses preferem continuar sob administração dinamarquesa, a despeito das intenções explícitas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir – comprar ou “anexar” – a gestão da ilha.
Nielsen rechaçou a possibilidade de submissão ao governo norte-americano durante reunião com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. O político indicou que, diante de uma escolha imediata, a prioridade é a manutenção da aliança com a Dinamarca.
“Há algo que deve ficar claro para todos: a Groenlândia não quer ser propriedade dos Estados Unidos. A Groenlândia não quer ser governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos”, afirmou Nielsen.
Washington justifica o interesse na região alegando riscos provenientes da Rússia e da China. O governo dos Estados Unidos descartou modelos de arrendamento, indicando que busca a posse definitiva do território ártico.
Aliança com a Otan e investimentos em defesa
A Groenlândia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) planejam ações conjuntas para reforçar a proteção da ilha. O objetivo é desencorajar tentativas de controle externo e garantir a estabilidade regional.
Segundo Jens-Frederik Nielsen, a segurança do território é uma obrigação da Aliança Atlântica. O primeiro-ministro afirmou: “Nossa segurança e defesa são responsabilidade da Otan. Este é um princípio fundamental e inabalável”.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, atua para convencer Washington de que a Groenlândia está protegida contra adversários estrangeiros. Em reuniões em Bruxelas, os países-membros avaliaram ampliar o patrulhamento naval no Ártico.
Mette Frederiksen advertiu que uma eventual anexação forçada poderia resultar na dissolução da Otan. A primeira-ministra informou que a Dinamarca destinou 1,2 bilhão de euros para a segurança na zona ártica em 2025.
Valor estratégico da região e presença militar
A ilha possui 57 mil habitantes e dispõe de reservas minerais que permanecem em grande parte sem exploração. A localização é considerada estratégica para o controle de rotas e monitoramento militar no Hemisfério Norte.
As Forças Armadas dos Estados Unidos já operam uma base militar em solo groenlandês por meio de acordos vigentes desde 1951. O tratado de defesa foi revisado em 2004 e permite ampla circulação de tropas norte-americanas.
Mark Rutte sinalizou que o governo dinamarquês aceitaria uma ampliação da presença militar dos Estados Unidos na região. Contudo, o governo local insiste que o desenvolvimento de defesa deve ocorrer sob diálogo multilateral.
A gestão de Donald Trump admitiu que a tentativa de controle da Groenlândia pode conflitar com a preservação da Otan.
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