A cidade espanhola onde 2.000 pessoas moram debaixo da terra
Em plena Andaluzia, na província de Granada, existe um bairro em que milhares de pessoas decidiram morar literalmente dentro da terra.
Em plena Andaluzia, na província de Granada, existe um bairro em que milhares de pessoas decidiram morar literalmente dentro da terra.
Em Guadix, mais de 2.000 casas foram escavadas em morros de argila, formando um labirinto de moradias subterrâneas conhecidas como casas-cueva, hoje habitadas por até 4.500 moradores com rotina urbana e infraestrutura completa, só que debaixo do solo.
Como surgiram as casas-cueva em Guadix?
A história das cavernas habitadas começa há cerca de 500 anos, após a Reconquista na Península Ibérica, quando muitos muçulmanos convertidos à força, os moriscos, buscaram refúgio em áreas afastadas.
Eles passaram a escavar moradias nos cerros de argila ao redor de Guadix, como forma discreta de permanecer na região.
Com o tempo, as cavidades improvisadas ganharam corredores, cômodos interligados e técnicas construtivas transmitidas de geração em geração, até formar um bairro troglodita completo, com ruas na superfície e entradas cravadas nas encostas, que rende a Guadix o título de “Capital Europeia das Cavernas”.

Como são construídas as casas-cueva e por que não desmoronam?
Construir uma casa-cueva exige conhecimento da argila firme dos cerros de Guadix e técnica para evitar colapsos. Tradicionalmente, começa-se de cima para baixo, abrindo um túnel principal e, a partir dele, escavando os cômodos, sempre respeitando espessuras mínimas de teto e paredes.
Os tetos em arco ajudam a distribuir o peso, formando ambientes longos e profundos com grande estabilidade estrutural.
Muitas casas ganharam fachadas de alvenaria, com portas, pequenas janelas, detalhes decorativos e até varandas, numa combinação de arquitetura popular inteligente e máximo aproveitamento do relevo natural.
Como é viver hoje em uma casa subterrânea em Guadix?
As casas-cueva funcionam como residências legais, com escritura, endereço, água encanada, eletricidade e internet.
Muitas foram reformadas segundo normas atuais, com pisos cerâmicos, cozinhas equipadas e banheiros completos sob tetos curvos caiados de branco, lembrando uma casa “normal”, apenas sem paredes retas.
Um dos maiores atrativos é o conforto térmico: no interior, a temperatura se mantém entre 18 e 22 graus ao longo do ano, graças ao isolamento da argila e à ventilação por portas e chaminés. O silêncio e o isolamento acústico também são muito valorizados pelos moradores.
O canal Camallerys Vlogs publicou um pequeno documentário sobre a história dessa cidade:
Quais curiosidades e usos alternativos as casas-cueva oferecem?
Além de moradias, Guadix abriga vários espaços subterrâneos que mostram a versatilidade dessa construção, hoje integrados ao turismo e à economia local. Abaixo estão alguns exemplos de como essas cavernas foram adaptadas para novos usos.
- Igreja subterrânea com nave escavada e fachada ampliada voltada para o exterior.
- Restaurantes em cavernas, que aproveitam o clima estável para funcionar o ano todo.
- Hotéis-cueva voltados a visitantes que desejam experimentar a vida subterrânea.
Por que ainda se escolhe morar em cavernas no século XXI?
Morar debaixo da terra em Guadix é visto como opção consciente, com baixo consumo de energia para climatização, impostos de propriedade muitas vezes menores e forte sensação de abrigo.
As cavernas podem custar de cerca de 20.000 a 115.000 euros, atraindo tanto moradores locais quanto estrangeiros. No interior, é comum encontrar wifi, televisão, eletrodomésticos modernos e pátios externos que funcionam como mirantes para o deserto andaluz.
O bairro de cavernas reúne história, engenharia vernacular e cotidiano real, mostrando um modo de vida contemporâneo e mais sustentável adaptado ao subsolo.
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