A ideia original da internet era muito distante do mundo de redes sociais e grandes empresas no qual a rede mundial de computadores se tornou.
“O grande mérito da internet é essa ideia de uma rede de colaboração onde todos os setores da comunidade trabalham junto. Não é uma rede de governo, não é uma rede privada, não é uma rede de academia, não é uma rede do terceiro setor, é uma rede que tem todo esse pessoal reunido”, diz o engenheiro Demi Getschko (foto), conhecido como o “pai da Internet no Brasil”,
Na conversa com Madeleine Lacsko no Ladoa! desta semana, o conselheiro do CGI.br diz que “coisas estranhas andaram acontecendo na internet, com méritos e deméritos”, ao comentar as mudanças que ocorreram nos últimos anos e levaram a rede para um rumo não imaginado.
“Inicialmente, na internet, cada indivíduo tinha a sua ação na rede. Há uma grande mexida quando aparece a web, em [19]91. Quer dizer, quando aparece a web, você consegue colocar um sítio no ar, botar a fotografia do seu cachorro, a fotografia da família, o que você está tomando no café da manhã. Então, há uma mudança importante nisso, que atrai o público em geral. Antes disso, o público era basicamente acadêmico. Depois, o pessoal do terceiro setor, os ativistas passaram a usar isso, para se reunir e fazer discussões a respeito. Depois, o governo passou a ver que isso era um bom canal para serviços públicos, para dar informação. E, finalmente, o público em geral”, detalha.
Espelho
Engenheiro eletricista e doutor pela Poli-USP, Getschko foi o primeiro brasileiro a integrar o Hall da Fama da Internet e acompanhou desde o início a conexão do Brasil ao mundo digital.
A conversa no Ladoa! passa pela arquitetura fundamental da rede, descrita por ele como uma “orquestra de colaboração” sem um centro de controle, e Getschko explica a importância do modelo multissetorial do Comitê Gestor da Internet (CGI.br).
O engenheiro também analisa o impacto das redes sociais e suas “bolhas” de conformismo, os desafios éticos e as oportunidades apresentadas pela Inteligência Artificial, além do risco do “embotamento” de talentos humanos diante das facilidades tecnológicas.
“Você não vai perder seu trabalho pela IA, mas para quem sabe IA”, diz o conselheiro do CGI.br, que lembra uma metáfora poderosa (“a internet é um espelho da sociedade”) para dizer que não adianta quebrar o espelho para resolver os problemas.
Assista à íntegra da conversa: