SUS passa a usar antibiótico para prevenir ISTs: 7 pontos para entender a nova estratégia

17.03.2026

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SUS passa a usar antibiótico para prevenir ISTs: 7 pontos para entender a nova estratégia

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SUS passa a usar antibiótico para prevenir ISTs: 7 pontos para entender a nova estratégia

O uso de doxiciclina é feito como profilaxia pós-exposição para prevenir infecções sexualmente transmissíveis bacterianas

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SUS passa a usar antibiótico para prevenir ISTs: 7 pontos para entender a nova estratégia
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O Brasil passou a adotar uma nova estratégia para tentar conter o avanço das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer a profilaxia pós-exposição com o antibiótico doxiciclina, conhecida internacionalmente como DoxyPEP, para reduzir o risco de infecções como sífilis e clamídia após situações consideradas de risco.

A estratégia já vinha sendo estudada e utilizada em alguns países e agora passa a integrar as ferramentas de prevenção disponíveis no sistema público brasileiro. Ao mesmo tempo em que a iniciativa é vista como um avanço por parte da comunidade científica, ela também levanta dúvidas entre a população. Por isso, o infectologista Daniel Paffili Prestes explica os principais pontos da nova estratégia e os cuidados necessários para que ela seja utilizada de forma segura. Confira!

1. O que é a profilaxia pós-exposição com doxiciclina?

A profilaxia pós-exposição é uma estratégia médica utilizada após uma situação de risco, com o objetivo de reduzir a chance de uma infecção se estabelecer no organismo. No caso das ISTs bacterianas, a pessoa utiliza uma dose de 200 mg de doxiciclina até 72 horas após a exposição sexual.

Segundo o infectologista Daniel Paffili Prestes, a lógica é semelhante a outras estratégias preventivas já utilizadas na medicina. “A profilaxia pós-exposição consiste em usar o medicamento logo após uma situação de risco, antes que a bactéria consiga se estabelecer no organismo. A doxiciclina impede a multiplicação de alguns microrganismos responsáveis por infecções sexualmente transmissíveis. A ideia não é substituir o preservativo, mas adicionar mais uma ferramenta dentro de um conjunto de estratégias de prevenção”, explica.

2. Infecções que a estratégia pretende prevenir

A estratégia é direcionada principalmente a infecções bacterianas específicas. “A doxiciclina tem ação contra algumas bactérias associadas às ISTs. Por isso, o foco dessa estratégia está principalmente na prevenção da sífilis e da clamídia”, explica o infectologista.

Estudos clínicos internacionais demonstram que a DoxyPEP pode reduzir mais de 70% dos casos de sífilis e clamídia, além de diminuir cerca de 50% das infecções por gonorreia em populações de maior risco. No entanto, o antibiótico não protege contra infecções virais, como HIV, HPV ou herpes.

3. Pessoas que poderão ter acesso ao tratamento pelo SUS

Uma das dúvidas mais comuns diz respeito ao acesso ao medicamento dentro da rede pública de saúde. Segundo o especialista, a estratégia não deve ser utilizada de forma indiscriminada. “O uso da profilaxia com doxiciclina segue critérios médicos bem definidos. Ela é indicada em situações específicas de maior risco e precisa ser avaliada por um profissional de saúde. Não é um medicamento para uso rotineiro ou sem orientação”, alerta.

Na prática, a recomendação costuma ser direcionada a populações com maior exposição a ISTs, sempre dentro de acompanhamento médico.

Menina ruiva de camiseta amarela sentada de costas e médico aplicando vacina no braço dela
A vacinação contribui diretamente para o controle das ISTs, ao lado de outras medidas de prevenção (Imagem: Halfpoint | Shutterstock)

4. Medida é considerada importante para a saúde pública

Nos últimos anos, vários países registraram aumento significativo nos casos de sífilis e outras ISTs bacterianas, o que tem preocupado autoridades sanitárias. Para Daniel Paffili Prestes, ampliar as ferramentas de prevenção pode ajudar a reduzir esse cenário.

“Em saúde pública, normalmente não existe uma única solução. O controle das ISTs depende de múltiplas estratégias: testagem regular, tratamento rápido, vacinação quando disponível, educação em saúde e métodos de prevenção. A profilaxia pós-exposição surge como mais uma ferramenta que pode ajudar a reduzir a transmissão em determinados contextos”, afirma.

5. O risco da automedicação com antibióticos

Com a divulgação da estratégia, especialistas também alertam para o risco da automedicação. “O uso de antibióticos sem orientação médica é sempre preocupante. Isso pode causar efeitos adversos, mascarar sintomas e favorecer o uso inadequado do medicamento”, afirma o infectologista. Além disso, o uso incorreto pode comprometer a eficácia da estratégia.

6. Preocupação com resistência bacteriana

A resistência antimicrobiana é considerada hoje uma das principais ameaças à saúde global. Por isso, o uso da DoxyPEP precisa ser acompanhado com cautela. “O uso de antibióticos sempre exige equilíbrio entre benefício e risco. Estratégias como essa precisam ser monitoradas de perto para evitar o aumento da resistência bacteriana. Por isso, a indicação deve ser criteriosa e acompanhada por profissionais de saúde”, esclarece o profissional.

7. A estratégia não substitui outras formas de prevenção

Mesmo com o novo protocolo, os métodos tradicionais de prevenção continuam sendo essenciais. “O preservativo ainda é uma das formas mais eficazes de reduzir a transmissão de ISTs. A profilaxia com doxiciclina deve ser entendida como uma camada adicional de proteção, e não como substituta das medidas de prevenção já conhecidas”, afirma o médico.

Por fim, segundo Daniel Paffili Prestes, a prevenção ideal envolve informação, testagem regular, vacinação e acompanhamento médico.

Por Sarah Carvalho

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