Quarto perfeito: veja o que não pode faltar para criar um refúgio pessoal
A disposição dos móveis, as cores e a iluminação transformam o dormitório em um espaço equilibrado e harmônico
O quarto deixou de ser apenas um cômodo para dormir. Em tempos de rotinas intensas e hiperconectividade, esse ambiente se tornou o último reduto de privacidade e descanso dentro de casa — um espaço no qual corpo e mente finalmente encontram permissão para desacelerar. Projetar um dormitório, portanto, vai muito além de escolher uma cama confortável ou uma paleta de cores agradável; trata-se de criar uma atmosfera que dialogue com as necessidades mais íntimas de quem ali repousa.
O arquiteto Raphael Wittmann, à frente da Rawi Arquitetura + Design, explica que um dormitório deve refletir o modo de vida de quem o habita, bem como suas ideias de pessoalidade, pausa e quietude. “O quarto é um espaço de entrega, de desconexão do ritmo acelerado e reconexão consigo mesmo. O projeto precisa transformar o cotidiano em pausa e traduzir a personalidade do morador em estímulos visuais e táteis que promovam bem-estar”, comenta.
Pensando nisso, o profissional lista os elementos essenciais que não podem faltar em um bom projeto de quarto — desde iluminação e acústica até escolhas de materiais e layout funcional. Continue a leitura e descubra quais!
O ponto de partida: medidas

Para Raphael Wittmann, um bom projeto de quarto começa com um layout coerente, em que a cama ocupa posição de destaque sem comprometer a circulação. “O ideal é manter a cama pelo menos 70 cm livres nas laterais, evitando bloqueios, tropeços e garantindo fluidez. Já em quartos infantis menores, pode ser interessante encostar a cama na parede para ganhar espaço extra para brincar no chão”, ressalta.
Além da disposição, as proporções ergonômicas também fazem diferença na experiência do usuário com o quarto, são elas:
- Mesas de cabeceira: entre 50 e 65 cm de altura;
- Camas: geralmente não devem com o colchão passar de 60 cm de altura para não pesar no espaço. “Sempre que possível evito as camas box baú, são altas e ficam grosseiras no ambiente”, afirma;
- Luminárias suspensas (pendentes): podem ser instaladas a 30 a 60 cm acima das mesas de cabeceira ou no centro do ambiente, preferencialmente alinhada ao eixo da cama;
- Armários: precisam de pelo menos 70 cm de folga para abertura das portas. É importante também pensar na posição das gavetas internas, pois precisam de espaço extra para mobilidade na circulação.
“Um quarto bonito é aquele que respeita o corpo humano. A composição estética só funciona quando vem acompanhada de ergonomia e equilíbrio”, reforça Raphael Wittmann.
Camas: o coração do quarto

Item primordial para noites bem-dormidas, a cama é o elemento que dita o restante do projeto e seu tamanho deve ser proporcional ao ambiente, por exemplo: camas king-size exigem espaços amplos, enquanto modelos queen ou de casal são mais versáteis e se adaptam a diferentes plantas. “Na hora de comprar o colchão, encare como um investimento em bem-estar, pois um modelo de densidade e suporte adequados à postura fazem toda diferença no descanso”, completa Raphael Wittmann.
Além do colchão, a cabeceira e o enxoval complementam a sensação de aconchego. Para o profissional, as cabeceiras trazem presença e conforto acústico, enquanto versões de madeira ripada ou painéis contínuos ajudam a criar unidade visual.
Para as roupas de cama, uma composição em sobreposição de tecidos cria o efeito “camadas de conforto”, principalmente quando se opta por tecidos naturais como linho e algodão que permitem a respiração da pele e regulam a temperatura, tornando o ambiente agradável em qualquer estação.
Iluminação na medida certa

Muitas vezes subestimadas, a iluminação é um dos elementos mais importantes na atmosfera de um dormitório. Por isso, Raphael Wittmann sugere combinar três camadas de luz quente (2700K a 3000K):
- Luz geral: para uma base suave e acolhedora, pode ser um plafon ou um pendente para um toque com mais personalidade. Pode ser também por meio de spots laterais, desde que não fiquem focados diretamente na cama;
- Luz indireta: o pendente principal, os abajures e as arandelas tipo pás também podem ter luz indireta, pois há modelos que rebatem de baixo para cima. A luz indireta ilumina de baixo para cima, rebatendo no teto e refletindo no ambiente, trazendo uma atmosfera aconchegante;
- Luz de apoio: por meio de abajures, arandelas ou pendentes laterais, que ajudam a modular o clima. Também podem ser utilizadas pontualmente fitas de LED embutidas na cabeceira, nos armários e nichos de estantes, embora estejam mais batidas.
“Sempre utilizamos lâmpadas com cores quentes nos quartos, pois propiciam maior relaxamento e elegância. Recomendamos a temperatura de cor de 2700K que é a luz quente, conhecida também como luz amarela, mas também pode ser 3000K, que seria o branco morno. A luz branca fria não é recomendada para esse tipo de ambiente, a menos que haja alguma necessidade especial”, explica o arquiteto.
Para suavizar a luz natural que adentra de janelas, a combinação de cortinas com dupla camada é a mais indicada, pois permite controlar a claridade conforme o momento do dia. A combinação de persiana tipo tela solar com cortina de tecido leve também causa o mesmo efeito.
Paleta de cores

Especialista em projetos contemporâneos, Raphael Wittmann acredita que a paleta deve ser pensada de dentro para fora, refletindo a identidade de quem dorme ali. Por isso, sugere uma base em tons claros e neutros, como bege, branco, areia, cinza mais quente e verde-oliva, que evocam serenidade e ampliam visualmente o ambiente. Outras cores podem ser utilizadas de acordo com o gosto pessoal, mas devem ser acolhedoras. Para contrastar, tons mais marcantes podem ser usados pontualmente em objetos ou paredes de destaque.
“Um quarto é o espelho das emoções do morador. Se ele busca tranquilidade, uso tons quentes e suaves, mas se é alguém mais criativo, posso usar nuances de terracota, rosa, azul ou amarelo-manteiga. A cor, mais do que decorativa, é uma ferramenta emocional”, observa o arquiteto.
Mobiliário

O arquiteto da Rawi Arquitetura + Design também recomenda pensar no entorno imediato da cama, e alguns móveis são indispensáveis para o conforto:
- Mesas de cabeceira, com gavetas ou nichos;
- Armário ou closet planejado, para otimizar o espaço;
- Cômoda ou aparador, para apoio de objetos pessoais;
- Poltrona de leitura ou banco aos pés da cama, para sentar ou leitura;
- Espelho de corpo inteiro, que amplia o espaço e auxilia no uso diário;
- Painel ou móvel sob medida, para TV e organização de cabos. Os cabos também podem ser planejados embutidos nas paredes, dispensando painéis;
- Bancos com baú e móveis multifuncionais, que ajudam na organização sem pesar visualmente;
- Ganchos nas paredes e mancebos, que colaboram na organização das roupas e bolsas.
“Evite o excesso de peças e priorize móveis com dupla função. Um quarto precisa respirar e o espaço livre também faz parte do conforto. O menos é mais neste caso”, finaliza Raphael Wittmann.
Por Emilie Guimarães
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