Mpox e outros vírus em alerta: entenda se o Brasil está preparado para uma nova pandemia
Especialista analisa riscos globais, capacidade de resposta do país e os desafios que ainda persistem
O mundo voltou a conviver com alertas sanitários frequentes. Após a covid-19, o surgimento de novos surtos infecciosos reacendeu o debate sobre o risco de uma nova pandemia e sobre o nível de preparo dos países para enfrentar esse cenário. A mpox, variantes de vírus respiratórios e a gripe aviária estão entre as principais preocupações das autoridades internacionais.
Para Maurício Perroud Jr., professor na Faculdade de Ciências Médicas e chefe da Disciplina de Pneumologia e Câncer de Pulmão da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), além de Diretor Médico (CMO) da Techtrials, a discussão precisa ser técnica, contínua e livre de alarmismo.
A seguir, o especialista lista sete pontos fundamentais para entender esse momento. Confira!
1. Vigilância epidemiológica precisa funcionar o tempo todo
A capacidade de detectar rapidamente novos casos é o primeiro passo para evitar que surtos locais se transformem em crises globais. “Vivemos em um mundo altamente conectado. Um evento sanitário que começa em uma região específica pode atravessar continentes em poucos dias. Por isso, a vigilância epidemiológica não pode ser acionada apenas em momentos de crise. Ela precisa operar de forma permanente, com sistemas ativos, profissionais treinados e dados confiáveis para tomada de decisão”, explica Maurício Perroud Jr.
2. A mpox segue como exemplo recente de alerta global
A mpox, doença causada pelo mpox vírus (MPXV), do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae, ganhou atenção internacional após registrar casos fora das regiões endêmicas, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar emergência sanitária.
“O caso da mpox mostrou como doenças consideradas restritas a determinadas regiões podem se espalhar rapidamente. O mais importante não foi apenas o número de casos, mas a velocidade da disseminação e a necessidade de respostas coordenadas entre países”, avalia o especialista.
3. Outras doenças emergentes também preocupam
Além da mpox, vírus respiratórios e zoonoses continuam sob monitoramento constante. “Hoje observamos um conjunto de ameaças simultâneas. Gripe aviária, novas variantes de influenza e coronavírus, além de outras doenças transmitidas de animais para humanos, fazem parte de um cenário mais complexo. O risco não está concentrado em uma única doença, mas na soma desses fatores”, afirma Maurício Perroud Jr.
4. Transmissibilidade pode causar mais impacto que a gravidade clínica
Doenças altamente transmissíveis têm potencial de sobrecarregar sistemas de saúde, mesmo quando não são extremamente letais. “Muitas vezes, o foco do debate público está na mortalidade. Mas, do ponto de vista da saúde coletiva, uma doença que se espalha rapidamente e atinge um grande número de pessoas pode gerar um impacto muito maior do que uma doença mais grave, porém menos transmissível”, explica.

5. O Brasil avançou após a covid-19, mas não pode relaxar
A pandemia deixou aprendizados importantes, especialmente em estrutura e integração entre instituições. “O Brasil tem capacidade científica e técnica relevante. Temos centros de pesquisa de excelência e profissionais altamente qualificados. Houve avanços claros após a covid-19, como ampliação de leitos e melhor articulação entre hospitais e pesquisadores. O desafio é manter investimentos constantes para que esse preparo não se perca com o tempo”, destaca Maurício Perroud Jr.
6. Resposta rápida depende de coordenação e comunicação
Estrutura hospitalar, sozinha, não garante controle de surtos. “A resposta precisa ser integrada. Testagem, rastreamento de contatos, comunicação clara com a população e decisões baseadas em evidências científicas são tão importantes quanto leitos e equipamentos. Sem coordenação nacional, mesmo sistemas robustos podem falhar”, afirma o especialista.
7. Preparação não é um estado definitivo, é um processo contínuo
Mudanças ambientais e sociais aumentam o risco de novas emergências sanitárias. “O Brasil está mais preparado hoje do que em 2020, mas preparação não é algo estático. Mudanças climáticas, urbanização acelerada e maior contato entre humanos e animais ampliam o risco de novas pandemias. Estar preparado significa revisar planos, investir em prevenção e aprender continuamente com cada evento”, conclui Maurício Perroud Jr.
O consenso entre especialistas é claro: novas emergências sanitárias são uma possibilidade real. A diferença entre um surto controlado e uma nova pandemia estará diretamente ligada à vigilância ativa, à ciência e à capacidade de resposta rápida das autoridades de saúde.
Por Sarah Carvalho
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