“Cuidado com os cães”, já avisavam os romanos antigos
Entre os muitos elementos que compõem o cotidiano da Roma Antiga, a presença dos cães se destaca tanto pela sua utilidade quanto pelo simbolismo.
Entre os muitos elementos que compõem o cotidiano da Roma Antiga, a presença dos cães se destaca tanto pela sua utilidade quanto pelo simbolismo. A famosa inscrição “cave canem”, encontrada em mosaicos de casas em Pompeia, ilustra não apenas um alerta aos visitantes, mas também a relevância desses animais na sociedade romana.
Os cães eram vistos como mais do que simples animais de guarda, desempenhando funções variadas que iam da proteção à companhia, passando por papéis simbólicos e até religiosos.
Na vida urbana e rural, os cães ocupavam diferentes espaços e funções. Em ambientes domésticos, serviam como sentinelas, protegendo residências e propriedades agrícolas. Já em atividades como a caça, demonstravam habilidades específicas, tornando-se parceiros indispensáveis para seus donos.
Além disso, registros históricos e arqueológicos revelam que, em muitos casos, esses animais recebiam tratamento especial, com direito a sepulturas e homenagens póstumas.
Como os cães eram utilizados na Roma Antiga?
Os romanos valorizavam os cães principalmente por sua capacidade de proteção. Grandes propriedades rurais e casas urbanas frequentemente contavam com cães treinados para afastar intrusos e predadores.
Escritores da época, como Varro e Columela, detalhavam os cuidados e o treinamento necessários para que esses animais cumprissem seu papel de guardiões. Além disso, a escolha da raça era um fator importante, já que algumas eram mais indicadas para defesa, enquanto outras se destacavam na caça.
Na caça, os cachorros eram aliados fundamentais. O poeta Grácio, por exemplo, mencionava a preferência por raças vindas da Britânia e da Gália, conhecidas por sua agilidade e força.
Os molossos, originários da Grécia, eram especialmente apreciados por sua robustez. Essa diversidade de raças e funções mostra que o cachorro estava presente em diferentes aspectos da vida romana, adaptando-se às necessidades de cada contexto.

Qual era o papel afetivo dos cães para os romanos?
Além das funções práticas, os cachorros também ocupavam um lugar de destaque no campo afetivo. Histórias registradas por autores como Plínio, o Velho, relatam episódios de lealdade canina, como o de um cão que permaneceu ao lado do corpo de seu dono após sua morte. Esse tipo de narrativa evidencia o valor simbólico atribuído à fidelidade dos cachorros.
Entre as classes mais abastadas, era comum tratar os cães como membros da família. Inscrições funerárias e epitáfios dedicados a esses animais mostram o carinho e a importância que lhes eram conferidos. Em muitos casos, cachorros de pequeno porte eram criados exclusivamente para companhia, recebendo cuidados especiais e até mesmo sepulturas próprias.
Que significado simbólico os cachorros tinham na cultura romana?
O cão era uma figura recorrente na arte e na mitologia romanas. Em mosaicos, esculturas e afrescos, esses animais apareciam ao lado de deuses e heróis, simbolizando proteção, vigilância e lealdade. No contexto funerário, era comum representá-los junto a crianças, sugerindo um papel de guardião na passagem para o além.
- Diana: Deusa da caça, frequentemente associada a cães velozes.
- Hécate: Divindade ligada aos caminhos e à escuridão, também representada com cães.
- Cérbero: O cão de três cabeças que guardava a entrada do submundo, símbolo de liminaridade entre vida e morte.
Essas representações reforçam a ideia de que o cão era visto tanto como protetor quanto como intermediário entre diferentes esferas da existência.
Como era a convivência com cães vadios e as preocupações com doenças?
Apesar da admiração, a convivência com cães na Roma Antiga também apresentava desafios. O aumento do número de cães vadios nas cidades gerava preocupações com higiene e segurança. Doenças como a raiva eram temidas, e autores como Columela alertavam para os riscos associados à proximidade com animais doentes.
- O direito romano previa punições para donos de cães que causassem danos a terceiros.
- A alimentação dos cães variava conforme sua função e status social.
- Cães de elite recebiam alimentação diferenciada, enquanto os de trabalho eram alimentados com sobras.
Essas questões mostram que a relação entre humanos e cães era marcada por uma mistura de respeito, utilidade e precaução.
O legado dos cachorros na Roma Antiga
A presença dos cães na Roma Antiga revela uma convivência rica em significados. Seja como guardiões, companheiros de caça, animais de estimação ou símbolos mitológicos, esses animais desempenharam papéis essenciais na vida e no imaginário romano.
O famoso “cave canem” permanece como um testemunho da importância desse vínculo, que atravessou séculos e continua a despertar interesse até os dias atuais.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)