O lugar mais antigo da Terra: montanha brasileira de 2.810 metros de altitude e 2 bilhões de anos, onde é possível enxergar 3 países ao mesmo tempo acima das nuvens
O mundo perdido de pedra que guarda espécies únicas no planeta
A 220 km de Boa Vista, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, o Monte Roraima emerge das nuvens como um gigante de arenito. Conhecido como o “Mundo Perdido”, o platô de paredes verticais inspirou cientistas e escritores, e hoje recebe aventureiros dispostos a caminhar sobre rochas de dois bilhões de anos.
Por que o Monte Roraima é considerado um Mundo Perdido
A montanha remonta ao período Pré-Cambriano, com formações rochosas que testemunham a origem do planeta. Seu isolamento geológico, que durou milhões de anos, permitiu que a vida evoluísse de forma independente da floresta tropical ao redor. O topo abriga espécies endêmicas – como pequenas rãs pretas e plantas carnívoras – que não existem em nenhum outro lugar da Terra.
Esse ecossistema único é protegido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como parte do Parque Nacional Canaima, na Venezuela. O lado brasileiro integra o Parque Nacional do Monte Roraima, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que abrange 116.747 hectares de floresta amazônica e savana.

Como é a experiência de acampar no topo do tepui
A expedição exige desapego da tecnologia e imersão em um silêncio mineral, interrompido apenas pelo vento constante e pelas chuvas súbitas. Não há hotéis: o viajante dorme em acampamentos montados sob fendas rochosas chamadas de “hotéis”, que oferecem abrigo natural. Cada resíduo produzido precisa ser carregado de volta à base, num exercício de preservação absoluta.
A travessia completa dura cerca de oito dias, somando 95 km entre a savana e o platô. O cotidiano no topo é pautado pela lida com o clima extremo – as noites podem chegar a 2°C – e pela energia ancestral das comunidades indígenas Makuxi e Wapichana, que atuam como guias e guardiãs espirituais do monumento natural.

O que visitar no platô do Monte Roraima
O topo é um labirinto de pedras, piscinas naturais e vales minerais que brilham sob a luz do sol. A neblina frequente cria uma atmosfera de mistério, ocultando e revelando fendas profundas em segundos. Conheça os pontos mais impressionantes:
- Vale dos Cristais: Depressão geológica forrada por milhares de pedras de quartzo que formam um tapete mineral brilhante. A luz reflete nos cristais criando um espetáculo de cores.
- Jacuzzis: Piscinas naturais esculpidas na rocha, com águas cristalinas e geladas que desafiam a coragem dos banhistas. A sensação de mergulhar ali é revigorante.
- El Fosso: Imensa abertura circular no platô que permite acesso a uma galeria subterrânea com queda d’água interna. O som ecoa pelas paredes de pedra.
- La Ventana: Mirante estratégico com a vista mais icônica para o tepui vizinho Kukenán e os abismos verticais. O pôr do sol visto dali é inesquecível.
- Pico Maverick: Cume absoluto da formação, com 2.810 metros de altitude. Do topo, é possível avistar os três países da fronteira num panorama 360 graus.
- Salto Catedral: Estrutura rochosa imponente que abriga cachoeiras escondidas entre musgos e flora tepuyana. A água escorre lentamente sobre as pedras cobertas de vegetação.
Quem busca viver uma aventura inesquecível, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 260 mil inscritos, onde Bruno e sua equipe mostram uma expedição completa pelo Monte Roraima:
Quando e qual a melhor época para subir o Monte Roraima
O clima na região é tropical chuvoso, com estação seca bem definida entre setembro e fevereiro – período ideal para o trekking. No topo, as temperaturas sofrem quedas bruscas, podendo atingir 2°C durante a noite, mesmo nos meses mais quentes nas terras baixas. A tabela abaixo ajuda a planejar:
Dados estimativos baseados no Climatempo para a região de Boa Vista. As condições no topo podem variar drasticamente; é essencial contratar guias especializados.
Como chegar ao Monte Roraima saindo do Brasil
A logística começa no Aeroporto Internacional de Boa Vista, que recebe voos de Brasília, Manaus e outras capitais. Da capital de Roraima, siga 220 km pela BR-174 até a cidade fronteiriça de Pacaraima, onde são feitos os trâmites migratórios para entrar na Venezuela.
O acesso final ocorre pela comunidade indígena de Paraitepuy, em território venezuelano, após um percurso em veículos com tração 4×4. De lá, inicia-se a caminhada de aproximadamente 95 km (ida e volta) até o topo do platô. A expedição completa exige oito dias, com acampamentos e suporte de guias locais credenciados.
É obrigatório contratar agências especializadas com antecedência, pois a estrutura na região é limitada e o parque exige registros prévios. A alimentação, barracas e equipamentos devem ser levados por toda a equipe.

Por que vale a pena conhecer o Monte Roraima
Monte Roraima é uma jornada para quem busca ir além do turismo convencional. Caminhar sobre rochas pré-cambrianas, dormir em fendas naturais e avistar espécies que não existem em outro lugar do planeta são experiências que transformam a percepção sobre o tempo e a natureza.
Entre os principais motivos para visitar estão:
- O isolamento evolutivo que permite contato direto com plantas e animais considerados relíquias biológicas da era pré-cambriana
- O desafio físico de uma das expedições de trekking mais completas da América do Sul, testando resistência e resiliência
- A conexão com o misticismo indígena das etnias Makuxi e Wapichana, que consideram a montanha o tronco de uma árvore sagrada
Você precisa conhecer este paraíso mineral onde o tempo parece ter parado há bilhões de anos.
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