Novo metal inspirado em aranhas-d’água pode enterrar o fantasma do Titanic
A tecnologia busca projetos que resistem a danos sem perder completamente a flutuabilidade, usando, em geral, vários compartimentos internos
Um navio anunciado como “inafundável” ainda é lembrado em 2026: o Titanic. Mais de um século depois do naufrágio, o desafio de evitar que grandes embarcações afundem continua a mobilizar engenheiros e cientistas.
O que é a tecnologia de navios inafundáveis?
A tecnologia busca projetos que resistem a danos sem perder completamente a flutuabilidade, usando, em geral, vários compartimentos internos. Mesmo que parte do casco seja perfurada, outras seções permanecem secas e o navio continua à tona, reduzindo o risco de naufrágio total.
A linha de pesquisa atual, porém, segue outro caminho: impedir que a água ocupe o interior das estruturas desde o primeiro contato.
Em vez de depender só da forma ou da espessura das chapas, aposta-se em superfícies tratadas para reter ar de forma estável, funcionando como um “colete salva-vidas” integrado ao próprio casco.

Como funciona o design super-hidrofóbico inspirado em animais aquáticos?
O centro da pesquisa está em tubos de alumínio comuns, modificados para se tornarem super-hidrofóbicos por meio de microrranhuras e cavidades. Essas gravações microscópicas criam pequenas “armadilhas” de ar que formam um colchão interno, dificultando a entrada de água mesmo sob forte pressão.
O mecanismo lembra a aranha de sino de mergulho, que prende uma bolha de ar junto ao corpo, e as formigas-de-fogo, que formam balsas vivas graças à hidrofobicidade de seus corpos. Um divisor interno nos tubos ainda ajuda a manter o ar preso, mesmo com agitação intensa ou perfurações locais.
Quais são as principais aplicações desse tipo de navio inafundável?
A principal promessa é criar estruturas modulares flutuantes mais seguras e duráveis, conectando vários tubos em série ou em rede. Isso pode servir tanto para embarcações de carga quanto para balsas, píeres móveis e boias mais resistentes a choques.
No setor de energia renovável offshore, plataformas de turbinas eólicas, painéis solares flutuantes e sistemas de monitoramento oceânico exigem alta estabilidade. Entre as aplicações mais discutidas para os tubos super-hidrofóbicos de alumínio, destacam-se:
- Navios de carga com módulos flutuantes redundantes;
- Boias de navegação mais resistentes a colisões;
- Plataformas para turbinas eólicas em alto-mar;
- Estruturas de apoio a pesquisas oceanográficas;
- Dispositivos de emergência e salvamento marítimo.
Quais desafios técnicos ainda precisam ser superados?
Para uso comercial em larga escala, é preciso garantir que o efeito super-hidrofóbico resista por anos à ação do sal, da radiação solar, de variações de temperatura e de incrustações marinhas.
A produção industrial das microestruturas também deve manter custos competitivos em relação às soluções navais tradicionais. Questões de manutenção são centrais, pois organismos marinhos e sedimentos podem alterar o comportamento da superfície.
Serão necessários protocolos de limpeza, reaplicação de tratamentos e monitoramento de desempenho de longo prazo, integrados às rotinas já usadas em portos e estaleiros.
Confira o vídeo da Universidade de Rochester sobre a criação desse metal:
Quais são os próximos passos para viabilizar navios inafundáveis?
Os pesquisadores apontam uma agenda que combina engenharia, regulamentação e avaliação ambiental. O objetivo é transformar protótipos de laboratório em sistemas confiáveis para operação em mar aberto e em condições extremas.
- Desenvolver métodos de gravação em alumínio em escala industrial;
- Testar a resistência do efeito super-hidrofóbico por anos seguidos;
- Combinar essa tecnologia com projetos navais já em uso;
- Definir normas de segurança específicas para estruturas inafundáveis;
- Avaliar impactos ambientais e necessidades de manutenção periódica.
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