Máquina de hipergravidade mais avançada do mundo é ligada. E agora?
Desenvolvida na China, a centrífuga CHIEF1900 permite reproduzir, em laboratório, condições físicas extremas
Uma máquina de “hipergravidade” capaz de gerar forças quase dois mil vezes maiores do que a gravidade da Terra tem chamado a atenção da comunidade científica internacional.
Desenvolvida na China, a centrífuga CHIEF1900 permite reproduzir, em laboratório, condições físicas extremas que só ocorreriam em desastres naturais ou em escalas de tempo muito longas, abrindo novas possibilidades em engenharia, meio ambiente, biologia e ciência dos materiais.
O que é a máquina de hipergravidade CHIEF1900
Instalado na Universidade de Zhejiang, o CHIEF1900 é uma centrífuga gigante de uso científico, com aparência futurista e rotor de grande porte.
Diferente de equipamentos militares para treinar pilotos, essa centrífuga é projetada para pesquisa interdisciplinar em condições de hipergravidade.
A expressão “máquina de hipergravidade” descreve sistemas que produzem acelerações muito além de 1 g. O CHIEF1900 atinge cerca de 1.900 g, superando a maioria das instalações semelhantes no mundo e tornando-se referência para testes estruturais e ambientais em alta intensidade.
The world’s largest centrifuge by capacity, China’s #CHIEF1300, is now active in #Hangzhou, capable of generating a supergravity field.
— Bridging News (@BridgingNews_) September 29, 2025
It compresses time and space for experiments in geology, materials science, and deep-earth research. Larger CHIEF1500 and CHIEF1900 are… pic.twitter.com/QzjBxT2ecq
Como funciona a simulação de hipergravidade em laboratório
Na prática, modelos ou amostras são fixados na extremidade de um braço giratório robusto.
Ao acelerar o rotor, o equipamento gera forças centrífugas proporcionais à velocidade de rotação e ao raio, fazendo o modelo “sentir” gravidades artificiais dezenas ou centenas de vezes superiores à terrestre.
Com isso, um modelo reduzido pode representar uma estrutura real muito maior, permitindo estudar barragens, taludes ou fundações sem construir protótipos em escala real.
O procedimento segue etapas bem definidas de preparação, giro controlado, coleta de dados e análise posterior em segurança.
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Quais são as principais aplicações da máquina de hipergravidade
O CHIEF1900 é usado para simular grandes obras de infraestrutura e fenômenos geotécnicos e ambientais de longa duração.
A seguir estão algumas das aplicações mais relevantes já exploradas ou previstas pelos pesquisadores:
- Simulação de falhas em barragens, taludes e fundações profundas
- Estudo de vibrações em trilhos, pontes e linhas de trem de alta velocidade
- Análise acelerada de poluição do solo em escalas de milhares de anos
- Ensaios com materiais avançados e componentes mecânicos sob fadiga
- Experimentos com organismos vivos sob campos gravitacionais extremos
🚨 China Builds Machine That Can Compress Decades Into Hours
— Autonomics Web (@AutonomicsWeb) January 20, 2026
China has constructed a new hypergravity centrifuge capable of simulating decades of structural wear in mere hours by dramatically increasing gravitational force.
The system, known as CHIEF1900, is located 15 meters… pic.twitter.com/NB5y434zA4
Como o CHIEF1900 atinge gravidades tão elevadas com segurança
Para alcançar até 1.900 g, o CHIEF1900 combina motores de alta potência, controle eletrônico preciso e um rotor de grande raio, gerando grandes “g-toneladas” de carga útil.
Isso permite submeter amostras significativas a acelerações extremas, algo impossível em equipamentos convencionais.
O maior desafio é o calor gerado pela rotação em alta velocidade, bem como as tensões mecânicas.
Por isso, a máquina utiliza vácuo parcial, sistemas de arrefecimento por fluidos e ventilação forçada, reduzindo o atrito com o ar e garantindo estabilidade térmica e estrutural durante os testes.
Quais áreas podem se beneficiar da CHIEF1900 no futuro
A partir de 2024, com a operação plena do CHIEF1900, aumentou o interesse em usar a hipergravidade como “atalho” no tempo para estudar processos que levariam décadas ou milênios.
Em materiais, isso permite observar microfissuras e falhas internas; em geotecnia e hidrologia, acelera o estudo de erosão, deslizamentos e movimentos de água em solos.
Na biologia e agronomia, a centrífuga ajuda a investigar a resposta de células, sementes e tecidos vegetais a gravidades extremas, gerando dados úteis para entender limites fisiológicos e projetar estruturas em ambientes com gravidade diferente, como a Lua e Marte.
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