Mecanismo de Anticítera, o “computador” de 2000 anos
O mecanismo de Anticítera é um dispositivo de bronze da Grécia Antiga, com cerca de 2 mil anos, encontrado em um naufrágio próximo à ilha de Anticítera
O mecanismo de Anticítera é um dispositivo de bronze da Grécia Antiga, com cerca de 2 mil anos, encontrado em um naufrágio próximo à ilha de Anticítera e hoje guardado no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, reconhecido como um dos primeiros “computadores” mecânicos por sua capacidade de calcular movimentos astronômicos com engrenagens de alta precisão.
O que é o mecanismo de Anticítera
O mecanismo de Anticítera é um instrumento analógico de bronze, do tamanho aproximado de um notebook, composto por blocos corroídos que revelam um intrincado sistema de engrenagens, escalas e inscrições em grego.
Produzido por volta do século I a.C., ele foi projetado para calcular e representar ciclos astronômicos com notável precisão para a época. Esse artefato combina engenharia de precisão e conhecimento astronômico avançado, traduzindo ciclos do Sol e da Lua.
Sua existência levou pesquisadores a reavaliar o nível tecnológico da Grécia Antiga e a enxergá-la como capaz de desenvolver instrumentos científicos complexos.
A Máquina de Anticítera, fabricada na Grécia Antiga, já no Período Romano, por volta do século I a.C. Acervo do Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
— Pensar a História (@historia_pensar) April 9, 2024
Com mais de dois mil anos, a Máquina de Anticítera é o mais antigo computador analógico que se conhece. Ela era usada para prever… pic.twitter.com/fqkih67Lnt
Como o mecanismo de Anticítera funciona
O funcionamento do mecanismo é baseado em eixos e rodas dentadas conectados, acionados provavelmente por uma pequena manivela. Ao girá-la, várias engrenagens se movimentavam em conjunto, fazendo avançar ponteiros sobre mostradores com escalas calibradas para ciclos astronômicos específicos.
Os números de dentes das engrenagens correspondem a ciclos conhecidos, o que permitia sincronizar calendários e prever fenômenos celestes. Entre esses ciclos, destacam-se alguns usados pelos antigos astrônomos:
- Ciclo Metônico – 19 anos solares equivalentes a 235 meses lunares;
- Ciclo de Saros – cerca de 18 anos e 11 dias, associado à repetição de eclipses;
- Períodos da órbita lunar, considerando variações de velocidade na órbita elíptica.
Quais informações o mecanismo de Anticítera previa
O mecanismo reunia, em uma caixa de madeira hoje perdida, diversas funções práticas ligadas ao tempo, aos astros e à vida social grega. Estudos sugerem que ele indicava posições aparentes de astros, fases da Lua e datas importantes, ligando astronomia, rituais e atividades políticas.
Suas escalas e inscrições permitiam prever eclipses, acompanhar a órbita lunar e registrar um calendário de festivais esportivos pan-helênicos. Há evidências de que mostrava ainda um céu geocêntrico com até cinco planetas visíveis: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Quem pode ter criado o mecanismo de Anticítera
A origem do mecanismo é atribuída a tradições científicas ligadas a Corinto, especialmente Siracusa, com base em nomes de meses e referências a jogos típicos dessa região. Isso sugere um contexto cultural coríntio para sua concepção e uso.
Alguns pesquisadores relacionam o artefato à escola de Arquimedes, famoso por criar dispositivos mecânicos complexos e globos celestes. Embora não haja prova de autoria direta, o nível de sofisticação é compatível com a matemática e a engenharia desenvolvidas nesse meio.

Qual é o legado tecnológico do mecanismo de Anticítera
Após passar quase dois milênios submerso, o mecanismo deixou poucas pistas de continuidade direta, mas sua lógica de engrenagens de precisão associadas a ciclos celestes aparece, séculos depois, em relógios astronômicos medievais na Europa e em instrumentos do Oriente Médio.
Hoje, o artefato é estudado com raios X, tomografias e modelagens 3D, permitindo reconstruções detalhadas do arranjo interno das engrenagens e das inscrições em grego.
Dessa forma, o mecanismo de Anticítera permanece como uma peça-chave para compreender a história da tecnologia e da astronomia na Antiguidade.
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