Jovem hacker lucra 654 mil euros na venda de dados bancários roubados
O caso de um rapaz de 25 anos, associado à plataforma RaidForums, reacendeu o debate sobre cibercrime.
O caso de um jovem hacker português de 25 anos, associado à plataforma RaidForums, reacendeu o debate sobre cibercrime e branqueamento de capitais em Portugal e na Europa, revelando como a venda de dados pessoais e bancários na internet evoluiu e ganhou dimensão transnacional entre 2015 e 2022.
O que foi o RaidForums e por que se tornou relevante no cibercrime
Segundo o processo, o alegado responsável pela criação e gestão do RaidForums terá acumulado centenas de milhares de euros em cerca de sete anos.
O dinheiro resultaria da comercialização de bases de dados furtadas, muitas vezes obtidas em ataques a empresas e serviços online, envolvendo utilizadores de vários países.
O RaidForums era descrito como um espaço dedicado à troca e venda de informação obtida ilegalmente, reunindo centenas de milhares de utilizadores.
Essa comunidade virtual facilitava o acesso a dados bancários, credenciais de acesso e outra informação sensível, ampliando o alcance de fraudes, burlas e esquemas de phishing.
Como funcionava o mercado clandestino de dados no RaidForums
O fórum operava como um mercado clandestino estruturado, em que dados eram organizados por país, tipo de instituição ou natureza da informação.
Em troca, os vendedores recebiam pagamentos em criptomoedas ou outros meios difíceis de rastrear, tornando o cibercrime financeiro mais acessível a utilizadores com poucos conhecimentos técnicos.
Nesse ambiente, além da venda de bases de dados, circulavam ferramentas e conhecimentos que fortaleciam o crime informático e criavam um ecossistema globalizado de cibercriminosos.
- Venda de bases de dados com informações pessoais e bancárias;
- Troca de ferramentas para invasão de sistemas;
- Partilha de tutoriais sobre ataques informáticos;
- Utilização de criptomoedas como forma de pagamento;
- Rede internacional de compradores e vendedores anónimos.
Pompompurin (Conor Brian Fitzpatrick)
— IT Guy (@T3chFalcon) January 6, 2026
When the FBI seized RaidForums in 2022, a vacuum opened in the cybercrime underworld. Into that void stepped Pompompurin.
He was a 19-year-old from New York who had already built a reputation in the hacking scene. He created BreachForums, a… https://t.co/yUciQ87TCy pic.twitter.com/VNTD99qIic
Como o branqueamento de capitais oculta lucros do cibercrime
O processo destaca o branqueamento de capitais como elemento central, descrevendo a conversão de fundos ilícitos em bens de elevado valor, como imóveis e automóveis de gama alta.
Essa estratégia visa dar aparência lícita ao dinheiro gerado pelo cibercrime, frequentemente através de operações fracionadas e transnacionais.
As autoridades identificam um padrão em três fases: colocação dos fundos no sistema financeiro, circulação por múltiplas contas ou plataformas, incluindo carteiras de criptomoedas, e integração em património e investimentos aparentemente legítimos.
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Como as autoridades portuguesas e europeias combatem o cibercrime
Em Portugal, o Ministério Público e o Departamento de Investigação e Ação Penal conduzem o inquérito, enquanto a Polícia Judiciária realiza apreensões e análises técnicas. A nível europeu, a Europol apoia com informação, coordenação e partilha de inteligência para desmantelar fóruns como o RaidForums.
As operações conjuntas permitem apreender servidores, retirar domínios do ar e deter suspeitos em várias jurisdições, exigindo cooperação internacional, atualização legislativa e equipas especializadas em cibersegurança e crimes com criptomoedas.
Quais são os riscos para dados pessoais e bancários neste cenário
O caso demonstra como dados de cartões, moradas, números de identificação e credenciais de acesso se tornam matéria-prima para fraudes e roubo de identidade.
Quando essas informações circulam em fóruns de hackers, o impacto atinge tanto cidadãos como empresas de múltiplos setores.
Esse contexto reforça a necessidade de proteção de dados por instituições e boas práticas de segurança digital pelos utilizadores, como não reutilizar senhas, ativar autenticação em dois fatores e desconfiar de pedidos suspeitos de dados bancários, em articulação com uma vigilância contínua das autoridades e do setor financeiro.
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