James Webb registra misteriosa ‘faixa’ de ferro dentro da Nebula do Anel
Os cientistas trabalham com duas hipóteses principais para explicar a origem dessa estrutura incomum
Uma estrutura misteriosa de ferro ionizado acaba de redefinir o que sabemos sobre a Nebulosa do Anel (Messier 57), uma das nebulosas planetárias mais famosas e estudadas do céu noturno.
A descoberta surpreendeu astrônomos porque ocorreu justamente no coração de um objeto observado há séculos — e mesmo com imagens modernas do Telescópio James Webb, esse detalhe nunca havia sido identificado.
Uma faixa de ferro no centro da Nebulosa do Anel
O achado consiste em uma faixa alongada de ferro ionizado que atravessa a região central da nebulosa, encaixada dentro do anel gasoso brilhante composto principalmente por oxigênio ionizado.
Em termos de escala cósmica, a estrutura é colossal: sua extensão equivale a cerca de 500 vezes a órbita de Plutão, enquanto sua massa total de ferro é comparável à do planeta Marte.
Esse tipo de concentração metálica não é comum em nebulosas planetárias, o que torna a descoberta ainda mais intrigante para a astrofísica moderna.
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Como a estrutura de ferro no centro da Nebulosa do Anel foi identificada
A detecção só foi possível graças ao instrumento WEAVE, acoplado ao Telescópio William Herschel, localizado nas Ilhas Canárias.
Diferente de observações tradicionais, o WEAVE analisa a luz ponto a ponto, separando-a em diferentes comprimentos de onda.
Esse método permite identificar com precisão as assinaturas químicas dos elementos, revelando emissões invisíveis em imagens convencionais.
Mesmo após décadas de observações detalhadas e registros de altíssima resolução, inclusive do James Webb, a faixa de ferro permaneceu oculta até agora — um lembrete de que o universo ainda guarda segredos mesmo nos objetos mais estudados.
Possíveis explicações para a origem
Os cientistas trabalham com duas hipóteses principais para explicar a origem dessa estrutura incomum:
- Ejeção irregular de material pela estrela central
A Nebulosa do Anel se formou quando uma estrela semelhante ao Sol entrou em seus estágios finais de vida. Durante esse processo, explosões e ejeções assimétricas de material podem ter criado uma concentração rica em ferro. - Vaporização de um planeta rochoso
Outra possibilidade fascinante é que um planeta rochoso tenha sido destruído quando a estrela se expandiu, vaporizando seu núcleo metálico e espalhando ferro ionizado na região central da nebulosa.
Próximos passos da pesquisa
Novas observações já estão planejadas para buscar outros elementos associados, o que pode confirmar uma das hipóteses ou até revelar um cenário totalmente novo.
Seja qual for a explicação final, a descoberta reforça a importância de instrumentos espectroscópicos avançados e mostra que Messier 57 ainda tem muito a ensinar.
Essa estrutura misteriosa de ferro não apenas aprofunda nosso entendimento sobre nebulosas planetárias, mas também oferece pistas valiosas sobre o futuro do próprio Sol — e do sistema solar.
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