Estudo aponta que cabos de internet no oceano ajudam a detectar atividade de vulcões submarinos
Estruturas de fibra óptica são responsáveis pela a maior parte das informações digitais entre países, conduzindo pulsos de luz codificados em dados.
Por trás da navegação diária na internet, existe uma infraestrutura pouco visível, mas essencial para o funcionamento do mundo conectado: os cabos submarinos de internet.
Eles formam a espinha dorsal da comunicação global e, mais recentemente, vêm sendo estudados como ferramentas de monitoramento ambiental, capazes de detectar terremotos, tsunamis e até sinais de vida marinha.
O que são cabos submarinos de internet
Os cabos submarinos de internet são estruturas de fibra óptica que transmitem a maior parte das informações digitais entre países, conduzindo pulsos de luz codificados em dados.
Eles sustentam serviços de comunicação, entretenimento, operações financeiras e boa parte das interações online do dia a dia.
Para atravessar oceanos, esses cabos recebem várias camadas de proteção mecânica e isolante, resistindo à pressão, correntes marítimas e interferências naturais.
Em áreas rasas, ganham blindagem extra contra âncoras e equipamentos de pesca, mantendo a integridade do sinal e a confiabilidade das conexões globais.
Como os cabos submarinos funcionam como sensores ambientais
A sensibilidade das fibras ópticas a pequenas deformações permite que os cabos atuem como sensores distribuídos, técnica conhecida como detecção acústica distribuída.
A luz que percorre a fibra sofre alterações quando o cabo é submetido a vibrações, compressões ou variações de temperatura, gerando sinais detectáveis por equipamentos em terra.
Esses equipamentos analisam mudanças no retorno da luz para identificar perturbações físicas no entorno do cabo, sem interferir na transmissão principal de dados.
Assim, uma mesma infraestrutura pode simultaneamente transportar informações e registrar fenômenos ambientais em grandes extensões do fundo do mar.
Como os cabos detectam terremotos, tsunamis e a atividade do oceano
Quando ocorre um terremoto submarino, ondas sísmicas geram microdeformações ao longo do cabo, que podem ser detectadas e analisadas.
Essas informações ajudam a ampliar a rede de monitoramento em áreas remotas, complementando sismógrafos tradicionais e beneficiando sistemas de alerta de tsunamis.
Além da atividade sísmica, os cabos captam ruídos gerados por ondas, correntes, embarcações e até animais marinhos, possibilitando estudos detalhados sobre a dinâmica do oceano.
A partir desses registros, pesquisadores podem, por exemplo:
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Como Cabos Submarinos Detectam Terremotos, Tsunamis e Atividade Oceânica
| Aplicação Principal | Impacto Científico & Prático |
|---|---|
| Permite localização precisa de epicentros em tempo real através de variações mínimas na luz da fibra óptica, criando uma rede global de sensores sísmicos sem infraestrutura adicional. | |
| Detecta ondas de pressão e correntes oceânicas que precedem tsunamis, ampliando sistemas de alerta precoce em regiões remotas com cobertura de milhares de quilômetros. | |
| Transforma 1,4 milhão de km de cabos de internet em sismômetros distribuídos, revelando vulcões submarinos, micro-terremotos e mudanças climáticas no fundo do oceano. |
Como os cabos podem ajudar a estudar a vida marinha
Cardumes de peixes, mamíferos marinhos e outros animais produzem sons e movimentos que geram pequenas perturbações detectáveis pelas fibras ópticas.
Embora essa aplicação ainda esteja em fase experimental, ela abre novas possibilidades para a pesquisa oceanográfica e a gestão de ecossistemas.
Com técnicas de processamento de sinais, torna-se possível distinguir ruídos biológicos de ruídos de ondas e navios, permitindo o mapeamento de rotas migratórias, zonas de reprodução e a análise do impacto de atividades humanas sobre a fauna marinha.
Quais são os desafios e perspectivas de uso científico dos cabos
O uso científico dos cabos submarinos de internet exige investimentos em equipamentos de leitura, processamento em tempo real e algoritmos avançados, sem comprometer a função primária de transmissão de dados.
É preciso garantir que o monitoramento ambiental seja compatível com os requisitos de desempenho das redes globais.
Questões de privacidade, segurança e soberania também são centrais, pois muitos cabos conectam diferentes países.
A cooperação entre operadoras, centros de pesquisa e órgãos reguladores será decisiva para transformar essa infraestrutura em uma plataforma estável de observação do planeta e proteção de comunidades costeiras.
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