Em experimento que mais parece ficção científica, Japão se aproxima de alcançar a fotossíntese artificial
Inspirada no modo como as plantas convertem luz em energia química, essa tecnologia procura transformar a luz solar em combustíveis úteis
A fotossíntese artificial vem ganhando espaço como uma das apostas mais promissoras entre as energias limpas, com o é o caso do estudo japonês publicado na revista ACS Catalysis.
Inspirada no modo como as plantas convertem luz em energia química, essa tecnologia procura transformar a luz solar em combustíveis úteis, principalmente hidrogênio verde, sem liberar poluentes, criando uma rota complementar à energia fotovoltaica e ajudando a reduzir emissões de gases de efeito estufa.
O que é fotossíntese artificial e qual sua importância para as energias limpas
A expressão fotossíntese artificial descreve técnicas que usam luz solar para promover reações químicas semelhantes às das plantas, porém voltadas à geração de energia limpa. Em vez de açúcares, esses sistemas produzem hidrogênio, combustíveis sintéticos ou moléculas ricas em energia que podem ser estocadas e usadas depois.
Quando o hidrogênio é gerado a partir de fontes renováveis, é chamado de hidrogênio verde e pode alimentar células a combustível, processos industriais e transportes sem emitir CO2 na etapa de uso.
Assim, a fotossíntese artificial transforma diretamente luz em combustível, reduzindo etapas intermediárias típicas de outras rotas energéticas.
Como a luz de onda longa contribui para a eficiência da fotossíntese artificial
Uma frente recente de pesquisa em energias limpas é o uso de luz visível de onda longa, acima de 600 nanômetros, abundante mesmo em dias nublados.
Muitos fotocatalisadores tradicionais respondiam apenas à luz de maior energia, limitando a eficiência em condições reais de iluminação.
Novos materiais que absorvem até cerca de 800 nanômetros ampliam o uso do espectro solar, gerando elétrons excitados por mais tempo.
Isso favorece reações como a divisão da água para formar hidrogênio e torna os sistemas de energia solar química mais adequados a ambientes urbanos, industriais e regiões de alta nebulosidade.
Quais são os avanços nos fotocatalisadores para produção de hidrogênio solar
No centro da fotossíntese artificial estão os fotocatalisadores, que absorvem luz e iniciam as reações químicas desejadas.
Pesquisadores ajustam a composição desses materiais para ampliar a faixa de luz absorvida e reduzir perdas, incluindo a substituição de metais tradicionais por elementos que favoreçam transições eletrônicas de menor energia.
Um fotocatalisador bem projetado converte fótons de baixa energia em processos úteis, como a produção de hidrogênio a partir de água.
Em laboratório, alguns sistemas já demonstram eficiências maiores que materiais convencionais, embora ainda sejam necessários avanços em estabilidade, custo e escalonamento industrial.
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Esta é uma planta que demonstra o processo de fotossíntese. Esse fluxo de bolhas é o resultado desta máquina de produção de oxigênio. Da energia solar à energia humana através das plantas. É tudo tão perfeito.pic.twitter.com/Iq0UczAlGw
— Astronomiaum (@astronomiaum) November 24, 2025
Quais etapas compõem a conversão de luz em combustíveis solares
Para entender como a luz se transforma em combustíveis solares, é útil observar as principais etapas envolvidas nos dispositivos de fotossíntese artificial.
Esse encadeamento de processos revela onde estão os desafios técnicos e as oportunidades de melhoria.
- Absorção da luz solar pelo material fotocatalítico;
- Geração de cargas elétricas (elétrons e lacunas);
- Separação e condução dessas cargas até os sítios de reação;
- Conversão de água ou CO2 em produtos energéticos;
- Armazenamento do hidrogênio ou do combustível gerado.
Como integrar fotosíntese artificial a outras formas de energia solar
Estuda-se integrar a fotossíntese artificial a sistemas de energia fotovoltaica, dividindo o espectro solar entre geração de eletricidade e produção de hidrogênio ou combustíveis. Isso aumentaria o aproveitamento global da radiação que chega à superfície terrestre.
Em médio e longo prazo, unidades compactas e instalações acopladas a parques solares podem atender comunidades remotas, pequenas indústrias e armazenamento sazonal de energia.
A viabilidade dessa rota dependerá de ganhos graduais em eficiência, durabilidade e custos, para que a tecnologia saia do laboratório e se torne parte estável do conjunto de energias limpas.
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