Construção mais ambiciosa da história busca replicar a mesma energia e poder do Sol na Terra
Em meio às discussões sobre energia limpa e redução de gases de efeito estufa, a fusão nuclear por meio do projeto ITER surge como uma das apostas.
Em meio às discussões sobre energia limpa e redução de gases de efeito estufa, a fusão nuclear por meio do projeto ITER surge como uma das apostas mais comentadas na comunidade científica.
Localizado no sul da França, o reator experimental reúne diversos países para testar, em escala inédita, se é possível produzir energia imitando o processo que ocorre nas estrelas, em um contexto de pressão crescente para substituir combustíveis fósseis por alternativas mais sustentáveis.
O que é fusão nuclear no contexto do projeto ITER
A fusão nuclear é o processo em que núcleos atômicos leves se unem formando núcleos mais pesados, liberando grande quantidade de energia.
No ITER, busca-se realizar esse processo com isótopos de hidrogênio, como deutério e trítio, aquecidos até formar um plasma em temperaturas de centenas de milhões de graus Celsius.
Para controlar a fusão, o reator utiliza um dispositivo chamado tokamak, que emprega campos magnéticos poderosos para confinar o plasma sem que ele toque as paredes.
O ITER foi projetado para verificar se um tokamak de grande porte pode produzir mais energia de fusão do que a energia gasta para aquecer e manter o sistema em funcionamento.
☀️ O Sol na Terra!
— Micorrhyzum (@Micorrhyzum) December 13, 2025
O projeto ITER (com 35 países) busca dominar a fusão nuclear, replicando a energia do Sol.
O objetivo é gerar eletricidade limpa, ilimitada e com mínimo lixo radioativo. Países já usam reatores Tokamak para sustentar o plasma a mais de 100 milhões. pic.twitter.com/4EK0A9Hl6m
Como o reator de fusão nuclear ITER gera energia experimentalmente
O reator de fusão nuclear ITER funciona aquecendo uma mistura gasosa até transformá-la em plasma, estado em que partículas carregadas respondem intensamente a campos magnéticos.
Diferente de uma usina comercial, o foco principal é medir o ganho líquido de energia liberada pelas reações de fusão dentro da câmara de vácuo, sem ainda converter esse calor em eletricidade.
Para isso, o tokamak integra vários subsistemas altamente especializados, que atuam de forma coordenada para aquecer, confinar e monitorar o plasma em tempo real, garantindo segurança e estabilidade.
- Campos magnéticos intensos, gerados por ímãs supercondutores gigantes para confinar o plasma em forma de anel.
- Sistemas de aquecimento por micro-ondas e feixes de partículas, elevando a temperatura ao ponto necessário para a fusão.
- Monitoramento em tempo real, com sensores de temperatura, densidade e posição do plasma para correções rápidas.
- Estruturas de contenção robustas, capazes de suportar esforços mecânicos, térmicos e eletromagnéticos extremos.
Quais são as principais vantagens da fusão nuclear em relação às fontes atuais
A fusão nuclear ligada a projetos como o ITER é vista como opção de baixo impacto ambiental em comparação a combustíveis fósseis e à fissão nuclear.
Ela se destaca pelas baixas emissões de carbono na operação e pelo uso de combustíveis abundantes, como deutério da água do mar e lítio para geração de trítio.
Além disso, a fusão tende a produzir resíduos radioativos de longa duração em menor volume do que reatores de fissão, e não depende de reações em cadeia do mesmo tipo, o que reduz alguns cenários de acidente e riscos de proliferação nuclear.
🚨🌞 A corrida para criar um segundo Sol na Terra entrou em sua fase final.
— Sacani (Space Today) – AKA Gordão Foguetes (@SpaceToday1) October 31, 2025
O maior projeto científico do mundo — o ITER (Reator Experimental Termonuclear Internacional) — encontra-se agora na fase mais crítica de montagem, na França.
Apoiado pela UE, EUA, China, Rússia, Índia,… pic.twitter.com/LoBDyVWWGa
Quais desafios impedem que a fusão nuclear se torne comercial
O caminho até a comercialização da fusão nuclear ainda é longo, pois o ITER enfrenta desafios científicos, tecnológicos, econômicos e de cronograma.
Manter o plasma estável por vários minutos exige sistemas de controle sofisticados, novos materiais resistentes à radiação de nêutrons e grandes esforços de engenharia.
Mesmo que o ITER comprove o ganho de energia (meta de Q≥10), ainda será necessário projetar usinas de demonstração, conhecidas como DEMO, capazes de converter o calor da fusão em eletricidade competitiva. Esses projetos são esperados apenas para as próximas décadas.
Qual é o papel do ITER no futuro da matriz energética global
O ITER atua como um grande laboratório internacional, reunindo engenheiros, físicos e técnicos para avaliar se a fusão pode integrar a matriz energética no longo prazo.
Seu desempenho ajudará a definir se a tecnologia terá papel relevante no final do século XXI ou se seguirá restrita a pesquisas especializadas.
Enquanto isso, muitos planejadores energéticos enxergam a fusão como possível complemento a fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, oferecendo uma fonte potencialmente estável e de baixa emissão de carbono em escala global.
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