Adoção lenta de IA coloca em risco boom bilionário previsto para 2026
Investimentos de gigantes de tecnologia superam 400 bilhões de dólares, mas retornos continuam mínimos
Gigantes americanas de tecnologia investiram mais de 400 bilhões de dólares em 2025 para construir centros de dados e infraestrutura voltada a inteligência artificial, segundo a revista britânica The Economist.
Mesmo com aportes dessa escala, as receitas diretamente ligadas à IA giram em torno de 50 bilhões de dólares por ano, patamar considerado muito baixo para justificar gastos que podem alcançar 7 trilhões de dólares até o fim da década.
A publicação afirma que 2026 será o ano em que os efeitos econômicos e sociais da tecnologia devem aparecer de forma mais visível.
A revista informa que cerca de 800 milhões de pessoas usam ChatGPT no mundo e que pesquisas mostram funcionários adotando ferramentas de IA dentro das empresas.
Apesar disso, dados do Censo americano citados pelo setor indicam que pouco mais de 10% das companhias com mais de 250 funcionários integraram sistemas de IA às linhas de produção.
Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts divulgado em julho concluiu que 95% dos testes corporativos com IA não geraram retorno financeiro, criando um descompasso entre expectativa e resultado.
Esse cenário preocupa porque o valor de mercado das empresas mais dependentes da tecnologia já domina os índices americanos.
O Banco da Inglaterra afirmou que ações ligadas à IA representaram 44% da capitalização do S&P 500 no início de outubro. Segundo o banco, essas empresas negociam a 31 vezes o lucro estimado, bem acima das 19 vezes do índice total.
A revista avalia que, se a adoção corporativa ganhar tração em 2026, investidores manterão a aposta de que o ciclo atual de gastos será compensado. Qualquer sinal de que os ganhos demorarão mais que o esperado pode provocar queda de avaliações.
A reportagem observa que uma correção de mercado teria efeitos amplos na economia americana. O investimento maciço em centros de dados e o patrimônio favorecido por ações em alta têm ajudado a neutralizar impactos de tarifas, redução da migração e incertezas internas.
A revista calcula que uma reversão poderia eliminar trilhões de dólares da riqueza das famílias americanas, afetando consumo e investimentos.
Para acelerar a adoção, empresas de IA vêm apresentando agentes virtuais que executam tarefas do início ao fim, como programar ou atender clientes.
Uma startup de São Francisco divulgou campanha sugerindo que companhias “parem de contratar humanos”, segundo a publicação. A estratégia busca simplificar a compreensão dos executivos sobre o potencial da tecnologia, mas pode alimentar receios de substituição de trabalhadores.
A revista registra que alguns analistas relacionam níveis elevados de desemprego entre graduados à expansão da IA. Mas estudos como o do Yale Budget Lab indicam que setores intensivos em IA não estão demitindo mais que os demais.
Pesquisas citadas lembram que avanços tecnológicos anteriores, como ferrovias e internet, provocaram períodos de euforia financeira antes de elevar produtividade e gerar novas ocupações.
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