São Paulo empurra seus condomínios para o colapso das fachadas
A recuperação de fachadas — uma obrigação técnica e de segurança — virou vilã em assembleias
São Paulo vive um paradoxo urbano silencioso: prédios continuam de pé, mas suas fachadas estão sendo empurradas, deliberadamente, para o colapso.
A recuperação de fachadas — uma obrigação técnica e de segurança — virou vilã em assembleias dominadas pelo medo do rateio e pela ilusão de economia. O resultado é simples: condomínios optam por não decidir. E a cidade paga a conta.
A fachada não é estética. É sistema de proteção. Quando ela falha, não falha sozinha. Infiltrações avançam, armaduras oxidam, o concreto perde desempenho e o risco deixa de ser hipotético. Passa a ser físico.
Segundo análise técnica do especialista e engenheiro Ralph Gallo, da RKB, o problema não está apenas na falta de obras, mas na ausência de diagnóstico contínuo.
“Fachadas em São Paulo envelhecem sem inspeções regulares, sem planos de manutenção e sem leitura técnica do seu ciclo de vida. Quando o condomínio decide agir, muitas vezes já não se trata mais de recuperação, mas de retrofit estrutural forçado, com custos exponencialmente maiores.”
O erro coletivo é tratar o tempo como aliado. Em engenharia predial, o tempo é neutro. Quem define o resultado é a manutenção — ou a omissão.
São Paulo não está escolhendo investir menos. Está escolhendo pagar mais depois.
E, pior: está escolhendo pagar sob risco.
Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)