Condomínios: o novo território da violência banal

29.01.2026

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Condomínios: o novo território da violência banal

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3 minutos de leitura 29.01.2026 15:54 comentários
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Condomínios: o novo território da violência banal

Pequenos conflitos — vaga de garagem, vazamento de água, cobrança administrativa — passaram a funcionar como gatilhos de violência extrema

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Condomínios: o novo território da violência banal
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Mataram um síndico em Osasco. Executaram um subsíndico no interior do Rio de Janeiro. Em Jundiaí, um síndico foi assassinado por um policial militar que já havia ocupado o mesmo cargo. Em Goiás, o síndico matou uma moradora.

Não é coincidência. É sintoma de colapso.

O condomínio brasileiro deixou de ser espaço de convivência e virou um microterritório de tensão permanente. Pequenos conflitos — vaga de garagem, vazamento de água, cobrança administrativa — passaram a funcionar como gatilhos de violência extrema. A regra virou afronta. A gestão virou provocação. O limite virou motivo de ódio.

Em Osasco, uma vaga “emprestada” terminou em morte. O síndico pediu de volta o que era do condomínio. O morador respondeu com uma arma. Autoridade administrativa contra autoridade armada. Venceu quem puxou o gatilho.

No Rio de Janeiro, o subsíndico foi morto após cobrar um problema hidráulico. O agressor tinha histórico criminal extenso. O condomínio convivia com o risco. O sistema fingia que não via.

Em Jundiaí, o caso foi ainda mais revelador: um ex-síndico, policial militar, matou o gestor atual após desavenças prolongadas. Não foi impulso. Foi acúmulo. Foi ressentimento fermentado em assembleias, corredores e garagens. Depois, o agressor se matou. O condomínio ficou.

E Goiás fechou o ciclo do absurdo: o síndico, figura criada para organizar a convivência, virou o agente da morte.

O mercado insiste em tratar esses episódios como “casos isolados”. Não são. São apenas os que atravessaram o filtro da morte e chegaram à imprensa. Abaixo da superfície, existe um oceano invisível de violência cotidiana: ameaças, perseguições, agressões, intimidações, síndicos que renunciam por medo, funcionários coagidos, assembleias que viram ringues. Nada disso vira índice nacional. Nada disso entra no debate público.

Hoje, o síndico é vilão. Ontem, o morador era o alvo. Amanhã, os papéis se invertem de novo. Porque o problema não é o cargo. É algo mais profundo e mais incômodo: a incapacidade crescente de parte da sociedade de viver sob regra, frustração e decisão coletiva.

Condomínio exige habilidades que nem todos têm. Saber ouvir “não”. Aceitar perda. Respeitar norma. Conviver com o outro. Quando isso falha, sobra agressividade. Quando não há consequência, sobra violência.

A solução não virá de discursos sobre empatia nem de cartilhas decorativas. Precisa ser dura, impopular e eficaz: educação obrigatória para convivência, tecnologia para tirar o conflito do campo pessoal e afastamento rápido de quem demonstra, de forma reiterada, incapacidade de viver em coletivo. Inclusive com avaliações psicológicas quando houver sinais claros de risco.

Isso não é radicalismo. É sobrevivência institucional.

O condomínio virou um laboratório do que o Brasil se tornou: intolerante, armado, incapaz de lidar com limites. A diferença é que, ali, a violência não está distante. Ela mora no andar de cima.

A pergunta não é se novos casos virão. É por que ainda fingimos surpresa quando eles acontecem.

Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab

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