Como uma startup está forçando a profissionalização da gestão condominial
Condomínios brasileiros administram orçamentos que rivalizam com médias empresas
Durante décadas, a contratação de síndicos no Brasil funcionou como um ritual arcaico. Indicações informais, listas fechadas de administradoras, decisões tomadas mais por confiança pessoal do que por critério técnico. Um mercado bilionário operando como se ainda estivesse nos anos 1990. Até agora.
Nos bastidores do setor imobiliário, uma startup começa a incomodar justamente quem sempre se beneficiou desse modelo. O QueroUmSíndico.com.br não promete revolução retórica. Promete algo mais incômodo para estruturas tradicionais: celeridade, transparência e escolha baseada em mérito.
O problema que ninguém queria resolver
Condomínios brasileiros hoje administram orçamentos que rivalizam com médias empresas. Respondem por contratos trabalhistas, obras complexas, passivos jurídicos e conflitos humanos diários. Ainda assim, a escolha de quem vai comandar tudo isso costuma ser feita no improviso.
O modelo dominante sempre foi o da indicação cruzada. Administradoras indicam síndicos parceiros. Síndicos indicam administradoras. Conselhos aceitam porque “sempre foi assim”. O resultado é previsível. Pouca concorrência, baixa transparência e quase nenhuma avaliação objetiva de desempenho.
É exatamente nesse ponto que o QueroUmSíndico.com.br entra para tensionar o sistema.
Um marketplace que transforma indicação em critério
A lógica da plataforma é simples, mas estruturalmente disruptiva. Em vez de confiar no “quem indica”, o condomínio passa a comparar perfis, especializações, regiões de atuação, histórico profissional e reputação pública.
Funciona como um híbrido improvável, mas eficaz. Um LinkedIn da sindicatura, combinado com a lógica de compatibilidade de um aplicativo de relacionamento. Não basta ser tecnicamente bom. É preciso fazer sentido para aquele condomínio específico, naquela região, com aquele perfil de moradores.
Essa combinação ataca diretamente um dos maiores problemas da gestão condominial: a rotatividade de síndicos por incompatibilidade, não por incompetência.
Transparência como ativo econômico
Ao transformar reputação em dado estruturado, a plataforma cria algo raro no setor: accountability real. Avaliações de conselheiros, histórico de atuação, especializações verificáveis e exposição pública do currículo mudam a relação de poder.
O síndico deixa de ser refém de bastidores. O condomínio deixa de contratar às cegas. Quem é bom se destaca. Quem não é, perde espaço.
Não por acaso, profissionais do setor descrevem a plataforma como um ponto de virada de carreira. Ela resolve o dilema clássico do mercado: sem indicação, não se entra. Sem entrar, não se constrói reputação.
Educação como infraestrutura, não como marketing
O diferencial mais sofisticado do projeto, porém, não está apenas na contratação. Está no ecossistema que o sustenta. Integrado ao SíndicoLab, o QueroUmSíndico.com.br não apenas conecta oferta e demanda, mas qualifica a oferta continuamente.
Cursos técnicos, parcerias com grandes players da indústria, conteúdos sobre legislação, manutenção, finanças e comportamento condominial criam um ciclo virtuoso. Quanto mais o profissional se capacita, mais competitivo se torna na plataforma. Quanto mais competitivo, melhor a gestão entregue aos condomínios.
É um modelo que premia competência em vez de relações pessoais. Algo raro no Brasil.
O interesse do mercado financeiro
Esse movimento não passou despercebido. Segundo pessoas próximas ao projeto, há negociações em andamento com investidores interessados em aportar capital na startup, justamente pelo potencial de escalar um mercado gigantesco e historicamente ineficiente.
O setor condominial movimenta bilhões por ano. Digitalizá-lo com lógica de marketplace, reputação e educação integrada é o tipo de tese que agrada fundos atentos a PropTechs com impacto estrutural.
Não se trata apenas de uma plataforma. Trata-se de uma infraestrutura de decisão.
Por que isso incomoda tanta gente
Toda vez que um mercado deixa de ser opaco, alguém perde poder. No caso da sindicatura, perdem os intermediários que viviam da assimetria de informação. Ganham os condomínios, que passam a escolher melhor. Ganham os bons profissionais, que passam a competir em condições mais justas.
O QueroUmSíndico.com.br não promete milagres. Promete algo mais concreto: menos achismo, mais dado; menos improviso, mais critério.
Num país onde a má gestão coletiva custa caro, isso não é pouco. É uma mudança estrutural em andamento.
Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
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