Turistas tiram selfie a metros da Coreia do Norte e são vigiados o tempo todo
A vigilância invisível que transforma qualquer pessoa comum em possível fiscal
Entrar em Dandong, a cidade chinesa que faz fronteira direta com a Coreia do Norte, é como caminhar por um cenário de espionagem. Turistas tiram selfies à beira do rio enquanto câmeras, soldados e olhares discretos lembram que ali começa um dos países mais fechados do planeta.
O que torna Dandong diferente de qualquer outra fronteira?
Dandong parece uma cidade moderna comum da China, com calçadões cheios e prédios altos, mas basta encarar o rio Yalu para perceber que do outro lado está a Coreia do Norte, separada por poucos metros de água e um abismo político. Postes abarrotados de câmeras de CFTV e policiais à paisana lembram que cada movimento pode estar sendo observado.
Enquanto moradores caminham tranquilamente e turistas chineses fotografam, a tensão invisível aumenta conforme se aproxima da margem. A fronteira funciona como ponto turístico, zona de vigilância e janela discreta para um país quase inacessível ao mesmo tempo.

Por que a ponte quebrada é o ponto turístico mais tenso?
A Broken Bridge, bombardeada pelos Estados Unidos na Guerra da Coreia, leva visitantes até a metade do rio, onde o lado chinês termina abruptamente e o lado norte-coreano começa em silêncio. No meio da multidão, bandeiras chinesas, músicas patrióticas e um filme de propaganda antiamericano tocam ao fundo.
Do outro lado da ponte destruída, é possível ver bandeiras, caminhões e um parque de diversões aparentemente abandonado. Muitos percebem que estão a poucos metros de um dos únicos pontos terrestres por onde entram mercadorias na Coreia do Norte, transformando o passeio turístico em experiência geopolítica real.
Como é espionar a Coreia do Norte de barco e pelo calçadão?
Em barcos turísticos que deslizam pelo rio, é possível chegar tão perto que se veem barcos de pesca com a bandeira do país, notas de won sendo vendidas como souvenir e norte-coreanos caminhando na margem com uniformes cinzentos. Na orla e nas ruelas de Dandong, surgem mercados com produtos contrabandeados e lojas com letreiros em coreano.
O contato com a cultura norte-coreana acontece através de detalhes comerciais que incluem:
- Cigarros e bebidas produzidos na Coreia do Norte vendidos em bancas simples
- Doces com sabor de uva ácida ou maçã verde levados discretamente além da fronteira
- Lojistas chinesas atendendo vestidas com hanbok, o traje tradicional coreano
- Restaurantes servindo naengmyeon, o macarrão frio norte-coreano
Veja imagens reais da fronteira mais vigiada e tensa do planeta:
Como funciona a vigilância constante em Dandong?
Em alguns bairros, norte-coreanos circulam em silêncio, muitos sem querer conversar e outros olhando com desconfiança qualquer câmera levantada. Agentes sem uniforme, confundidos com “gente comum”, monitoram turistas discretamente. Em um restaurante, bastou a tentativa de filmar um cliente norte-coreano para que um homem bem vestido, provavelmente um agente do governo, surgisse exigindo que os vídeos fossem apagados.
Longe do centro, a “Nova Dandong” revela avenidas largas e uma ponte de três quilômetros que custou cerca de 350 milhões de dólares, planejada para um boom de comércio que nunca aconteceu. Da Grande Muralha da China, basta olhar além da cerca com arame farpado para perceber que um único passo separa os dois países, enquanto pássaros cruzam o limite sem serem detidos por barreira alguma.
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