Tsutomu Yamaguchi: o homem que sobreviveu a duas bombas atômicas
Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, o engenheiro naval japonês Tsutomu Yamaguchi tornou-se um dos símbolos mais marcantes da era nuclear
Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, o engenheiro naval japonês Tsutomu Yamaguchi tornou-se um dos símbolos mais marcantes da era nuclear. Ele sobreviveu aos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki em um intervalo de três dias. Sua vida combina acaso extremo, sofrimento prolongado e ativismo pelo desarmamento.
Quem foi Tsutomu Yamaguchi e por que sua história é singular?
Nascido em Nagasaki, Yamaguchi trabalhava na Mitsubishi Heavy Industries quando foi enviado temporariamente a Hiroshima. Lá, em 6 de agosto de 1945, ficou a cerca de 3 quilômetros do hipocentro da primeira bomba atômica da história. Sofreu queimaduras severas, tímpano rompido e perda temporária da visão.
Mesmo ferido, conseguiu atendimento básico, reencontrou colegas e embarcou em um trem de volta para Nagasaki. Acreditava ter escapado do pior. Porém, ao voltar ao trabalho e relatar ao supervisor o horror visto em Hiroshima, testemunhou outro clarão intenso. Era a segunda explosão nuclear, em sua cidade natal.
O HOMEM QUE ENCAROU O SOL DUAS VEZES:
— Rafael (@rafaelleaflb) February 20, 2026
– Tsutomu Yamaguchi era um engenheiro naval de Nagasaki que estava em Hiroshima a trabalho em 6 de agosto de 1945.
-Enquanto caminhava, ele viu um avião americano B-29 soltar um objeto. Era a bomba atômica "Little Boy".
-A explosão o… pic.twitter.com/IS8gOUJUmP
O que significa ser um duplo sobrevivente atômico?
Yamaguchi ficou a aproximadamente 3 quilômetros do hipocentro em ambas as cidades. Essa distância o expôs à onda de choque, ao calor extremo e à radiação, mas evitou a morte imediata. Por isso, passou a ser chamado de “duplo sobrevivente atômico”, caso raro entre os hibakusha.
As consequências físicas foram graves: febre persistente, vômitos, infecções e longa convalescença. Perdeu de forma definitiva a audição do ouvido esquerdo, teve queda intensa de cabelo e cicatrizes extensas. Ainda assim, conseguiu retomar a vida profissional em um país em ruínas.
Quais foram os impactos das bombas na saúde e na família de Yamaguchi?
Como outros hibakusha, ele conviveu com sequelas crônicas e medo de doenças tardias, como câncer. Os efeitos não se limitaram ao seu corpo. Esposa e filhos apresentaram problemas de saúde associados, por médicos da época, à exposição direta e indireta à radiação.
A seguir, alguns elementos que marcaram a experiência familiar de Yamaguchi:
- Hibakusha: estigma social, discriminação em empregos e casamentos.
- Saúde: doenças crônicas e casos de câncer em diferentes gerações.
- Ambiente: viver em cidades destruídas, com luto coletivo e contaminação.
Como Yamaguchi se tornou símbolo do desarmamento nuclear?
Durante décadas, ele evitou aparecer publicamente como sobrevivente. O silêncio refletia trauma e o preconceito contra hibakusha. Apenas na velhice decidiu transformar sua experiência em alerta contra armas nucleares, passando a dar entrevistas, participar de documentários e escrever memórias e poemas.
Em 2009, o governo japonês reconheceu oficialmente que ele esteve em Hiroshima e Nagasaki nos dias dos ataques. Com 93 anos, tornou-se o único “duplo sobrevivente” certificado pelo Estado japonês. Esse gesto reforçou seu papel como testemunha histórica e defensor do desarmamento.
O canal Casos Reais contou a história de Tsutomu Yamaguchi:
Que lições a trajetória de Tsutomu Yamaguchi oferece ao século XXI?
Yamaguchi morreu em 2010, aos 93 anos, após uma vida marcada por dor e resiliência. Sua biografia ilustra como decisões militares tomadas a distância atingem pessoas em atividades comuns. Também mostra que radiação e trauma psicológico atravessam décadas e alcançam filhos e netos.
Num mundo em que vários países ainda mantêm arsenais nucleares, sua história continua citada em livros, exposições e cerimônias da paz. O testemunho de Yamaguchi funciona como alerta permanente sobre os riscos da guerra nuclear e a importância de preservar a memória das vítimas para orientar escolhas futuras.
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