Todos os habitantes desta cidade vivem em apenas um prédio
A pequena Whittier, Alaska tem uma rotina incomum nas Begich Towers. Veja por que quase todos moram no mesmo prédio
Imagine morar em um lugar onde ir ao mercado, ao cartório, à escola e até à igreja significa apenas apertar o botão do elevador. Em Whittier, uma pequena cidade costeira no sul do Alasca, a maior parte da vida acontece dentro de um único prédio: as Torres Begich, que abrigam cerca de 300 moradores e concentram serviços, rotina e um senso de comunidade pouco comum.
Por que a maior parte da cidade vive nas Torres Begich
Whittier está encravada entre montanhas e oceano, cercada por terras federais e da ferrovia, o que limita fortemente novas construções. Assim, quase toda a população acabou concentrada nas Torres Begich, edifício de 14 andares construído em 1956 para uso militar na Guerra Fria, com capacidade para cerca de mil pessoas.
Hoje, o prédio funciona como uma “cidade vertical”, com 196 apartamentos e estrutura pensada para enfrentar o inverno rigoroso do Alasca. Ao longo dos anos, já abrigou gabinete do prefeito, delegacia, pequena prisão, clínica e segue como principal endereço residencial e centro da vida urbana local.

O que existe dentro dessa “cidade sob o mesmo teto”
Dentro das Torres Begich, quase tudo o que os moradores precisam está a poucos andares de distância. Há mercearia, lavanderia coletiva, área de depósito, playground interno, duas igrejas, escritórios municipais, correios, cartório e uma escola conectada ao prédio por um túnel subterrâneo aquecido.
O térreo concentra boa parte dos serviços, incluindo o pequeno mercado Kozy Korner, que vende enlatados, itens de higiene e alguns medicamentos básicos. Enquanto aguardam a lavanderia, moradores podem comprar lanches em máquinas automáticas ou usar o caixa eletrônico, mantendo a rotina sem sair ao frio extremo.
Se você gosta de conhecer lugares curiosos e estilos de vida únicos, este vídeo do canal Documentários Ruhi Çenet, com 17,9 milhões de subscritores, foi escolhido especialmente para você. Ele mostra a cidade de Whittier, no Alasca, onde quase todos os moradores vivem no mesmo prédio devido às condições extremas da região.
Como funciona o cotidiano dentro desse “condomínio-cidade”
O dia a dia mistura hábitos de qualquer cidade pequena com peculiaridades da vida em um único prédio. É comum encontrar o chefe de polícia de pijama no mercado, o prefeito na lavanderia ou professores nos corredores, já que a escola recebe cerca de 35 crianças de 3 a 18 anos ligadas por túnel às áreas residenciais.
Professores costumam preparar o café da manhã, e todos comem juntos, reforçando laços comunitários. As turmas reúnem diferentes idades, e dúvidas podem ser tiradas literalmente batendo à porta do professor vizinho. Alguns andares superiores abrigam um pequeno hotel, que recebe turistas curiosos sobre esse modo de vida compacto.
Como é entrar e sair de Whittier em meio ao isolamento
Por terra, Whittier se conecta ao resto do mundo apenas pelo Anton Anderson Memorial Tunnel, com cerca de 4 km e mão única alternada a cada meia hora. Construído como ferrovia militar, só passou a receber veículos em 2000, exigindo dos moradores um planejamento rigoroso de deslocamentos.
Esse isolamento cria desafios diários, especialmente quando o túnel fecha à noite ou em caso de avalanches e deslizamentos. Nessas situações, a cidade precisa depender mais do mar e dos serviços locais, o que torna a organização da infraestrutura ainda mais importante para o dia a dia.

Quais curiosidades e desafios tornam Whittier única
As Torres Begich são formadas por três blocos separados por um vão de cerca de 20 centímetros, permitindo movimentação independente em terremotos. Projetado para resistir a tremores e incêndios, o prédio sobreviveu ao grande terremoto de 1964, de magnitude 9,2, sem danos estruturais graves.
Apesar de ter 14 andares, os elevadores mostram 15 níveis, pois o número 13 é omitido por superstição, e parte dos andares superiores funciona como hotel. Com aluguéis em torno de 700 dólares (um quarto) a 1.200 dólares (três quartos), Whittier recebe cerca de 800 mil turistas por ano, enquanto convive com taxas de pobreza e desemprego significativas e dúvidas sobre o futuro das Torres Begich, que já se aproximam do fim de sua vida útil.
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