Sucuri gigante vive isolada em buraco com mais de 100 metros de profundidade
Veja por que cientistas ainda tentam entender como ela chegou lá
Ela é descrita como uma sucuri imponente, registrada por pesquisadores em um enorme desfiladeiro natural conhecido como “Buraco das Araras”, no Centro-Oeste do Brasil. Observada pela primeira vez em 2017, essa cobra de grande porte vive isolada no interior dessa formação geológica, sem saída aparente, o que levanta dúvidas sobre o comportamento da espécie, a dinâmica do ambiente e as melhores estratégias de conservação.
O que é o Buraco das Araras?
O Buraco das Araras é uma dolina com cerca de 100 metros de profundidade, paredes íngremes de rocha e vegetação típica de Cerrado. No interior, surgem poças d’água permanentes ou sazonais, árvores adaptadas à sombra parcial e fauna composta por aves, répteis e pequenos mamíferos.
Embora o nome remeta às araras que sobrevoam e nidificam nas bordas, a presença de uma sucuri no local tornou-se um dos aspectos mais comentados. Para a biologia da conservação, o buraco funciona como um laboratório natural, permitindo observar interações em um espaço relativamente isolado e de acesso humano limitado.
Como a sucuri pode ter chegado ao Buraco das Araras?
A presença da chamada sucuri do Buraco das Araras desperta várias hipóteses sobre sua origem no fundo da dolina. A serpente encontra água, abrigo e presas suficientes para sobreviver, mas enfrenta paredes quase verticais e altura superior a 100 metros como barreira para sair.
Entre as principais possibilidades levantadas por pesquisadores, destacam-se cenários que envolvem tanto processos naturais quanto características do relevo local:
Queda acidental
A serpente pode ter caído por uma área de borda instável durante o período chuvoso, quando o solo fica mais escorregadio.
Canal subterrâneo
Outra possibilidade é a entrada por um antigo canal ou fenda conectada a corpos d’água externos, hoje parcialmente obstruída.
Chegada ainda jovem
Quando menor, a serpente poderia ter utilizado um trecho menos íngreme para descer, ficando isolada com o crescimento.
Qual é o papel ecológico da sucuri no interior da dolina?
A sucuri, ou anaconda brasileira, atua como predador de topo em ambientes aquáticos e alagadiços, regulando populações de presas como pequenos mamíferos e aves que se aproximam da água. No Buraco das Araras, ela ajuda a manter o equilíbrio do pequeno ecossistema isolado.
A permanência prolongada da serpente permite estudar cadeias alimentares em um ambiente com fronteiras físicas claras. Esse cenário ajuda a entender como um único grande predador influencia fluxos de energia, composição de fauna e padrões de uso de habitat em áreas restritas.
Quais são os desafios para estudo e preservação do local?
O monitoramento da sucuri e de outras espécies enfrenta limitações logísticas, como profundidade, risco de desmoronamentos e dificuldade de acesso ao fundo. A descida exige equipamentos específicos, planejamento e protocolos rigorosos de segurança.
Por isso, muitas informações são obtidas por observação com telescópios e binóculos, uso de drones e instalação pontual de câmeras de monitoramento. Também é necessário controlar a visitação turística, com trilhas demarcadas e regras de conduta para reduzir o impacto humano e preservar a fauna.
Confira o animal avistado e gravado em vídeo:
Esta sucuri vive isolada em um buraco de 100 metros de profundidade chamado “Buraco das Araras” Ela foi avistada pela primeira vez em 2017, e os biólogos ainda não sabem como ela chegou lá 🦜🐍 pic.twitter.com/PS6nP58dm0
— Astronomiaum (@astronomiaum) January 5, 2026
O que o caso da sucuri do Buraco das Araras revela sobre a fauna brasileira?
O registro dessa sucuri em um ambiente tão singular mostra que a fauna brasileira ainda abriga situações pouco documentadas, mesmo em áreas turísticas. Novos comportamentos e interações seguem sendo descobertos à medida que o monitoramento se torna mais sistemático.
O caso também estimula debates sobre manejo e intervenção, ponderando entre resgatar animais ou deixar que processos naturais sigam seu curso. No Buraco das Araras, prevalece a estratégia de acompanhamento contínuo e preservação do ambiente, usando a história dessa sucuri para ampliar o entendimento da biodiversidade e dos processos ecológicos em formações geológicas isoladas.
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