Seu pneu velho pode virar 1 km de estrada e durar 4 mil anos
Material que levaria milênios para sumir vira pavimento durável em processo industrial controlado
Um pneu jogado fora pode parecer apenas mais um lixo no mundo, mas na prática ele é o começo de uma jornada curiosa que mistura tecnologia pesada, química e engenharia de estradas. Em vez de ficar séculos parado em aterros ou terrenos baldios, esse material está ganhando um novo papel: transformar bilhões de pneus velhos em asfalto emborrachado, um tipo de pavimento que dura mais, reduz ruído e ainda ajuda a aliviar um dos resíduos mais persistentes do planeta.
Como esse fascinante processo de reciclagem foi revelado ao público?
O canal Fabrica Industrial, que conta com 23,8 mil inscritos e se dedica a mostrar os bastidores de processos industriais complexos, explorou em detalhes essa transformação impressionante. Um único pneu pode levar até 4.000 anos para se decompor, liberando compostos orgânicos e metais pesados na terra e na água.
Em regiões dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio, áreas de descarte lembram verdadeiros oceanos escuros de borracha, ocupando grandes extensões de solo. Além de poluir, pneus abandonados acumulam água da chuva e viram criadouros de insetos transmissores de doenças, com mais de 1,5 bilhão de pneus descartados por ano no mundo.
Por que a indústria enxerga valor econômico em pneus velhos?
Enquanto um pneu gasto vale apenas alguns centavos como sucata, para a reciclagem ele é visto como um pacote concentrado de materiais valiosos. Dentro dele existe uma mistura de borracha natural, borracha sintética, aço de reforço, fibras têxteis e diversos aditivos químicos com valor econômico.
Para aproveitar tudo isso, empresas organizam rotas fixas de caminhões que recolhem pneus em oficinas, pátios de sucata e centros de troca. Veja o que pode ser extraído de cada pneu reciclado:
- Borracha natural e sintética transformada em grânulos para pavimentação
- Aproximadamente 2 kg de aço carbono de alta qualidade por pneu de caminhão pesado
- Fibras têxteis reaproveitadas em aplicações industriais diversas
- Aditivos químicos com valor para novos processos de manufatura
- Componentes reutilizáveis para produção de novos produtos de borracha.
Quais são as etapas técnicas da transformação em asfalto?
A etapa mais conhecida da reciclagem de pneus é a que transforma a carcaça em borracha granulada e, depois, em asfalto emborrachado. Esse tipo de pavimento consegue reaproveitar até 10.000 pneus em apenas 1 km de estrada, aumentando a durabilidade e reduzindo o ruído do tráfego em cerca de 6 dB.
Para chegar nesse resultado, a indústria segue uma sequência bem controlada de processos que combinam força mecânica, calor e controle químico. Máquinas hidráulicas removem o anel de aço do pneu, enquanto cortadores de alto torque fatiam os pneus lavados em pedaços de alguns centímetros, sem aquecer demais a borracha.
O que torna esse pavimento superior ao asfalto convencional?
Depois da fase de secagem, a borracha entra na câmara de mistura com o betume líquido, em um ambiente totalmente monitorado por sensores de temperatura e viscosidade. Durante 30 a 60 minutos, pás internas criam um vórtice que força o contato intenso entre os dois materiais.
Nesse processo, as partículas de borracha incham ao absorver óleos do betume, aumentando a viscosidade da mistura e melhorando elasticidade e resistência a rachaduras. A partir daí, o asfalto emborrachado segue em caminhões basculantes aquecidos até o canteiro de obras, onde é espalhado em camadas de cerca de 1,5 a 3 polegadas e compactado com rolos de aço.

Esse tipo de asfalto pode ser reciclado novamente no futuro?
Mesmo mais durável, o pavimento com borracha reciclada também sofre com o tempo, tráfego e variações de temperatura. Quando a superfície começa a apresentar trincas e deformações, equipes entram em ação removendo placas de asfalto, separando o material e levando tudo para usinas especializadas.
Dentro dessas usinas, o chamado pavimento asfáltico reciclado passa por uma nova rodada de limpeza, britagem e classificação, num ciclo quase fechado. Alimentadores vibratórios e eletroímãs retiram impurezas, martelos de alta velocidade separam pedra e betume antigo, e entre 30% e 40% desse material volta para novas misturas asfálticas, mantendo o valor técnico e fechando o ciclo de sustentabilidade.
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