Robert Waldinger, especialista em felicidade: “Não diga ‘tudo vai ficar bem’ em tempos de incerteza; melhor ‘talvez, vamos ver'”
Aceitar a realidade não é concordar com tudo nem achar que está “tudo bem” quando a situação é difícil.
Em um mundo em constante transformação, aceitar a mudança como parte inevitável da vida tem se mostrado essencial para o bem-estar emocional e no entendimento da felicidade no dia a dia.
Estudos contemporâneos, aliando ciência e sabedoria tradicional, apontam a aceitação da realidade como um pilar da saúde mental, algo que observo repetidamente na prática clínica e na direção do Estudo de Harvard sobre Desenvolvimento Adulto liderados pelo psiquiatra Robert Waldinger.
O que é a aceitação da realidade em tempos de incerteza
Aceitar a realidade não é concordar com tudo nem achar que está “tudo bem” quando a situação é difícil.
É reconhecer que certos acontecimentos, como perdas, doenças ou crises, não podem ser alterados naquele momento e deixar de gastar energia em “por que isso aconteceu comigo?” para perguntar “o que posso fazer a partir daqui?”.
Esse movimento, central em abordagens como DBT e ACT, redireciona a energia da resistência para a ação construtiva.
Envolve perceber o que está acontecendo, reconhecer o impacto emocional e escolher respostas possíveis, reduzindo o sofrimento gerado pela tentativa de controlar o incontrolável.
Como aplicar a aceitação da realidade no dia a dia
No cotidiano, a aceitação começa em situações simples, como atrasos e mudanças de planos, quando a pessoa troca “isso não poderia ter acontecido” por “isso aconteceu; como posso responder com mais sabedoria?”.
Essa mudança de foco transforma irritação em ação realista e flexível.
Alguns elementos práticos ajudam a desenvolver essa postura no dia a dia, tornando a aceitação um recurso utilizável em diferentes contextos de vida:
- Reconhecer limites: perceber que nem tudo depende da própria vontade, o que é sinal de maturidade psicológica.
- Observar pensamentos: notar crenças rígidas como “tudo precisa sair como planejado” e tratá-las como eventos mentais.
- Ajustar expectativas: rever metas diante de novos contextos, mantendo flexibilidade nas rotas de vida.
- Cuidar das emoções: permitir tristeza, medo ou raiva sem se prender a eles ou alimentar narrativas que ampliem o sofrimento.
- Escolher atitudes possíveis: focar em pequenos gestos de ação e autocuidado, mesmo em cenários adversos.
"People who are more socially connected to family, to friends, to community, are happier, they're physically healthier, and they live longer than people who are less well connected."
— TED Talks (@TEDTalks) December 28, 2019
Watch Robert Waldinger's full TED Talk here: https://t.co/rdPEk9cwLE pic.twitter.com/IEOq4YUHI4
Aceitação da realidade não é o mesmo que conformismo
Aceitar a realidade não significa se acomodar, perder a esperança ou aprovar injustiças.
Ao contrário, reconhecer com clareza o cenário existente aumenta a capacidade de agir com eficácia e de ajustar rotas com realismo e responsabilidade.
No conformismo, há desistência antecipada e foco apenas na perda; na aceitação, identificam‑se espaços de ação, abertura para alternativas e possibilidade de aprendizado.
Essa honestidade com a própria situação é a base para mudanças sustentáveis.
Por que a aceitação da realidade fortalece o bem-estar emocional
Pesquisas em saúde mental mostram que a rigidez diante da mudança está associada a mais ansiedade, desgaste e conflitos.
Quando alguém exige controle absoluto sobre tudo, qualquer alteração se torna ameaça constante à segurança interna.
A aceitação reconhece que instabilidade faz parte da vida e cria espaço para responder com atenção e presença, em vez de reagir apenas por medo.
Essa flexibilidade se conecta à qualidade dos relacionamentos, favorecendo conversas francas, pedidos de ajuda e apoio mútuo.
Como a aceitação da realidade pode apoiar a vida contemporânea
Em um contexto de incertezas globais e excesso de informações, aceitar “é isso que está acontecendo agora” sem negar nem dramatizar ajuda a tomar decisões mais equilibradas.
Essa postura evita o desespero paralisante e a negação dos fatos, funcionando como um ponto de partida sólido.
Manter-se desperto à realidade, sem ilusão de controle absoluto, permite atravessar períodos turbulentos com maior equilíbrio interno.
A aceitação não elimina desafios, mas oferece um modo mais estável de caminhar em meio às mudanças constantes da vida moderna.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)