Qual a diferença entre urso-negro, urso-pardo e urso-polar e por que não existem ursos no Brasil?
Parece estranho, mas o Brasil nunca teve ursos e a explicação está neste pequeno detalhe
Entre os mamíferos de grande porte, os ursos chamam atenção pelas diferenças de tamanho, cor e comportamento. Urso-pardo, urso-negro e urso-polar pertencem a espécies distintas, adaptadas a ambientes variados do hemisfério Norte, e sua história evolutiva ajuda a entender por que não existem ursos nativos no Brasil.
Quais são as características gerais do urso-pardo?
O urso-pardo (Ursus arctos) é uma das espécies mais distribuídas no hemisfério Norte, ocorrendo na América do Norte, Europa e Ásia, em florestas, montanhas e tundras. Apresenta porte médio a grande e pelagem que varia do marrom claro ao quase preto, o que dificulta a identificação apenas pela cor.
Sua dieta é onívora, incluindo frutos, raízes, insetos, pequenos vertebrados e peixes, como o salmão em algumas regiões. Possui garras fortes, ombros robustos e grande capacidade de acumular gordura, o que permite enfrentar períodos de escassez e, em certos locais, hibernação parcial.
O que diferencia o urso-negro do urso-pardo?
O urso-negro (Ursus americanus), típico da América do Norte, costuma ser menor e mais esguio que o urso-pardo, com focinho mais estreito e orelhas proporcionalmente maiores. Sua pelagem pode ser preta, marrom, canela ou mais clara, variando conforme a região onde vive.
É um escalador eficiente, muito associado a florestas densas, inclusive próximas a áreas com presença humana. Também onívoro, consome principalmente alimentos vegetais, como frutos, sementes e brotos, complementados por insetos e pequenos animais, reduzindo a competição com o urso-pardo em áreas onde coexistem.
Assista um vídeo do canal incrivelmente Animal com detalhes desses 3 animais:
Como vive o urso-polar em ambientes extremos?
O urso-polar (Ursus maritimus) é altamente especializado para o Ártico, vivendo sobre o gelo marinho em torno do Polo Norte. Considerado um mamífero marinho, depende do gelo para caçar e se deslocar, principalmente em busca de focas.
Apresenta pelagem branca ou creme para camuflagem, espessa camada de gordura para isolamento térmico e corpo alongado, com patas adaptadas à natação e ao gelo escorregadio. Sua distribuição inclui Canadá, Rússia, Noruega (Svalbard), Groenlândia e partes do Alasca, sendo muito vulnerável ao derretimento do gelo marinho.
Por que não existem ursos nativos no Brasil?
A ausência de ursos no Brasil está ligada à evolução da família Ursidae, que se diversificou sobretudo em regiões temperadas e frias do hemisfério Norte. Na América do Sul existiu o urso-de-cara-curta, hoje extinto, associado principalmente à região andina e a ambientes mais frios e abertos, sem registros nas atuais florestas brasileiras.
Alguns fatores ajudam a explicar esse padrão de distribuição, mostrando por que os ursos não fazem parte da fauna brasileira atual:
Predomínio tropical
A história climática favoreceu grupos tropicais, como felinos, primatas e grandes roedores, em vez de grandes ursídeos.
Barreiras ecológicas
Montanhas, grandes rios e tipos específicos de vegetação limitaram a expansão de ursos pelo continente.
Competição ecológica
Nichos ocupados por ursos em outros continentes são preenchidos aqui por onças e outros onívoros de médio porte.
Qual é a situação atual dos ursos e sua relação com o Brasil?
Enquanto urso-pardo, urso-negro e urso-polar seguem distribuídos pelo hemisfério Norte, enfrentam ameaças como perda de habitat, conflitos com humanos e, no caso do urso-polar, mudanças climáticas. Programas de conservação buscam garantir populações viáveis e reduzir impactos em seus ambientes naturais.
No Brasil, ursos aparecem apenas em zoológicos, centros de conservação ou pesquisa, sob cuidados específicos. A fauna de grandes mamíferos brasileiros segue outra trajetória evolutiva, dominada por onças, antas, veados e primatas, refletindo condições ambientais diferentes das regiões onde os ursos evoluíram.
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