Por que as cigarras “cantam” mais no calor extremo?
Entenda como esse canto pode ser usado como um “termômetro natural” das mudanças climáticas.
As cigarras fazem parte da paisagem sonora de muitas cidades e áreas rurais durante o verão, pois utilizam o canto como forma de comunicação, principalmente reprodutiva, cujo ritmo e intensidade variam diretamente com a temperatura do ambiente.
Por que as cigarras fazem mais barulho no calor extremo?
A principal explicação está no funcionamento dos músculos responsáveis pelo som, ligados a estruturas chamadas timpanos ou timbais, localizadas no abdômen. Com o aumento da temperatura, esses músculos se contraem e relaxam mais rápido, gerando vibrações mais intensas e frequentes.
Em temperaturas mais altas, o metabolismo da cigarra acelera, permitindo produzir sons por mais tempo e em frequência maior. Em ambientes frios, o efeito é o oposto: elas ficam lentas, cantam menos ou param, fazendo do calor intenso um gatilho para um “coro” mais constante e audível.
Como a cigarra produz o som característico?
O som não é produzido pelas asas, mas por placas rígidas no abdômen que funcionam como membranas sonoras. Músculos internos retraem essas placas rapidamente, fazendo-as estalar várias vezes por segundo; as vibrações são amplificadas por cavidades internas do corpo, gerando o canto típico.
Em geral, apenas os machos cantam, para atrair fêmeas no período reprodutivo, e cada espécie possui um padrão próprio de vibração. Em dias muito quentes, muitos indivíduos cantando ao mesmo tempo criam uma paisagem sonora densa, que pode até interferir em conversas e gravações ao ar livre.
Assista um vídeo do canal Richard Rasmussen com detalhes curiosos sobre o animal:
Como o calor afeta o comportamento e a sobrevivência das cigarras?
Em temperaturas elevadas, as cigarras se tornam mais ativas durante o dia, concentrando o canto em faixas de horário em que o calor favorece a reprodução. O ruído intenso indica que sua fisiologia está operando em uma faixa considerada ideal para atividade.
Por outro lado, ondas de calor severas podem causar estresse térmico, perda de água e até morte. Nesses casos, o canto se reduz, pois os insetos buscam sombra, micro-hábitats mais frescos ou diminuem sua atividade para preservar energia e hidratação.
Quais fatores influenciam a intensidade do canto das cigarras?
A intensidade do canto varia não só com a temperatura, mas também com a espécie, a hora do dia e a umidade do ar. Em calor moderado a alto, a atividade vocal aumenta; sob frio ou calor extremo prolongado, tende a diminuir para evitar estresse térmico e desidratação.
Essas variações ocorrem de forma relativamente previsível e permitem relacionar o comportamento sonoro das cigarras às condições ambientais. Entre os principais fatores que modulam o canto, destacam-se:
Variações de temperatura
Mudanças entre manhã, tarde e noite influenciam diretamente a atividade e a frequência do canto.
Ondas de calor prolongadas
Períodos muito quentes e duradouros podem intensificar ou reduzir o canto, conforme a espécie.
Chuvas após dias quentes
Pancadas rápidas depois de calor intenso costumam alterar o padrão de canto e atividade sonora.
O que o barulho das cigarras revela sobre o clima?
Ondas de calor mais frequentes e intensas vêm alterando o período de atividade das cigarras em várias regiões, antecipando seu aparecimento e prolongando a duração do canto. Isso faz do comportamento sonoro desses insetos um indicativo útil de mudanças no padrão climático local.
Em alguns estudos, a velocidade do canto é usada como um “termômetro sonoro”, pois tende a aumentar com a temperatura ambiente. Assim, entender o barulho das cigarras ajuda a interpretar como pequenos animais respondem ao calor extremo e como isso afeta ecossistemas urbanos e rurais.
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