O submarino de 8.700 toneladas que muda o jogo e coloca a Coreia do Norte num patamar mais perigoso
Não é só tamanho, é incerteza estratégica
Durante anos, o foco esteve nos lançamentos de mísseis vistos do chão. Agora, a conversa começa a descer para debaixo d’água. A Coreia do Norte avança com um projeto de submarino grande o suficiente para ampliar alcance, confundir rotas de vigilância e aumentar a incerteza em qualquer crise.
O que assusta não é só o tamanho, é a ideia por trás dele: criar uma capacidade mais difícil de localizar, mais difícil de prever e, por isso, mais difícil de neutralizar.
Por que o submarino nuclear da Coreia do Norte virou uma dor de cabeça estratégica?
Porque um submarino com ambição de operar por longos períodos no mar muda a lógica de ameaça. Míssil lançado de terra deixa rastros mais óbvios, áreas de disparo mais previsíveis e um padrão de monitoramento mais concentrado. Já um submarino pode sair antes da crise “esquentar” e reaparecer, dias ou semanas depois, em outra direção.
É esse efeito que pressiona defesas e planejamento: a incerteza. Em vez de pensar apenas em trajetórias conhecidas, países passam a ter que cobrir mais mar, mais rotas e mais cenários, o que aumenta custo e diminui margem de erro.

O que muda quando a ameaça sai da costa e vai para o alto-mar?
A mudança não é só geográfica, é operacional. Um projeto desse tipo tem potencial para elevar a dissuasão nuclear ao criar uma opção de sobrevivência em caso de ataque ao território. Na prática, isso significa aumentar a chance de existir retaliação mesmo depois de um primeiro golpe, o que é o coração do conceito de segundo ataque.
Para entender por que isso mexe com o tabuleiro, pense no impacto direto sobre recursos de patrulha, caça e acompanhamento. A partir do momento em que a ameaça pode circular em áreas amplas, a guerra antissubmarino precisa ser distribuída, e distribuir sempre custa caro.
Os efeitos mais prováveis dessa transição costumam aparecer em pontos bem concretos:
- Mais pressão para ampliar vigilância no Oceano Pacífico e rotas menos óbvias.
- Maior valor de silêncio e sensores, porque sonar vira peça central da resposta.
- Mais incerteza em crise, já que a posição do submarino pode mudar o cálculo de risco.
- Mais investimento em rastreamento contínuo, não só em reação a lançamento.
O que esse novo projeto indica sobre tamanho, alcance e carga de mísseis?
Um casco grande sugere espaço para sistemas mais robustos e, principalmente, maior margem para armamento e sensores. É aqui que entram as discussões sobre quantos tubos de lançamento caberiam, qual seria a capacidade de permanecer oculto e como isso afetaria o tempo de aviso em um cenário real. A tabela abaixo resume comparações que ajudam a visualizar o salto de escala, sem depender de achismo:
| Classe | País | Deslocamento aproximado | Carga típica de mísseis |
|---|---|---|---|
| Borei | Rússia | 24.000 toneladas | 16 mísseis balísticos |
| Ohio | Estados Unidos | 18.750 toneladas | até 24 mísseis balísticos |
| Tipo 094 | China | 11.000 toneladas | 12 mísseis balísticos |
| Arihant | Índia | 7.000 toneladas | 4 mísseis balísticos |
| Novo projeto | Coreia do Norte | 8.700 toneladas (estimado) | estimativa de 6 a 8 mísseis balísticos |
Quais são os limites reais e por que isso pode demorar para virar ameaça plena?
Construir é diferente de operar. Um projeto de propulsão nuclear exige domínio de reator, controle, manutenção e tripulação altamente treinada. Além disso, submarino estratégico precisa ser discreto. Se fizer muito barulho, vira alvo mais fácil e perde parte do valor.
Outro ponto é que o contexto pesa: sanções internacionais dificultam acesso a componentes e elevam o custo de manter uma frota complexa. Ainda assim, mesmo um submarino “imperfeito” pode ser relevante por um motivo simples: ele força adversários a planejar para o pior cenário, e planejar para o pior cenário já muda o jogo.
Projeto está quase sendo finalizado, como mostram essas imagens no estaleiro norte coreano:
Photos of the construction of a new North Korean nuclear submarine, December 2025.
— Iron Heart (@saturn74954) December 25, 2025
The submarine has a displacement of 8,700 tons. pic.twitter.com/BlnyIUUTdf
O que acompanhar daqui para frente para entender se o projeto virou ameaça de verdade?
O termômetro não é só foto de estaleiro. O que costuma separar propaganda de capacidade real são sinais de testes consistentes, saídas frequentes para o mar e evolução de procedimentos. Quando há autonomia operacional maior, a capacidade de “sumir” por mais tempo começa a ter efeito prático, não só simbólico.
Se o projeto avançar, o impacto tende a aparecer como aumento de vigilância e resposta regional, além de um cenário de crise mais instável, em que decisões são tomadas com menos certeza e mais medo do desconhecido.
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