O que tem de tão interessante na Groenlândia? Entenda de uma vez por todas
Terras raras e urânio embaixo do gelo podem suprir 25% da demanda global de tecnologia
Em 2019, a ideia dos Estados Unidos comprarem a Groenlândia virou piada nas redes, mas nos bastidores de Washington, Pequim e Moscou o tom era outro. Por trás de uma ilha gelada está um dos territórios mais estratégicos do planeta.
Por que os EUA sempre quiseram comprar a Groenlândia?
Depois de comprar o Alasca no século XIX, os Estados Unidos passaram a olhar para a Groenlândia como o próximo passo lógico no tabuleiro do Ártico. Em 1946, durante a Guerra Fria, Washington chegou a oferecer 100 milhões de dólares em ouro à Dinamarca pela ilha inteira, proposta que foi recusada.
Décadas mais tarde, em 2019, o tema voltou à tona quando o então presidente americano tratou a Groenlândia como um “grande negócio imobiliário”, citando prejuízos dinamarqueses de cerca de 700 milhões de dólares por ano. A fala soou curiosa, mas refletia um interesse antigo em transformar a ilha em trunfo estratégico definitivo.
Qual o tamanho real da Groenlândia no mapa?
O canal Desenhando e Explicando, com 6,97 mil inscritos, destrincha essa e outras curiosidades geográficas que desafiam nossa percepção. No mapa escolar com projeção de Mercator, a Groenlândia parece quase do tamanho da América do Sul, o que cria a impressão de um território gigantesco. Na prática, ela é bem menor: cerca de 14 vezes menor que a África e menor que a Argentina.
A forma da ilha também chama atenção: geólogos descrevem a Groenlândia como uma espécie de tigela, com bordas montanhosas e centro afundado sob uma camada de gelo de até 3 km. Se todo esse gelo desaparecesse hoje, o interior ficaria abaixo do nível do mar e viraria um arquipélago em forma de anel.
O que a ilha tem de tão valioso para a tecnologia moderna?
Para que telas, baterias e chips funcionem, a indústria depende de um conjunto de 17 elementos químicos conhecidos como terras raras. Hoje, a China domina quase totalmente esse mercado, o que dá a Pequim um enorme poder sobre cadeias de produção de iPhones, carros elétricos e caças militares.
No sul da Groenlândia, estudos apontam algumas das maiores reservas de terras raras e urânio do mundo, com potencial para suprir cerca de 25% da demanda global. Esse cenário estratégico envolve diversos fatores decisivos:
- A China controla a maior parte da extração e processamento de terras raras atualmente
- A Groenlândia poderia reduzir essa dependência, oferecendo fonte alternativa para países ocidentais
- Empresas chinesas e ocidentais disputam licenças de mineração na ilha
- O aquecimento global expõe áreas antes cobertas de gelo, facilitando o acesso às rochas ricas em minérios
| Recurso Estratégico | Importância Global | Potencial da Groenlândia |
|---|---|---|
| Terras Raras | Essenciais para smartphones, carros elétricos e tecnologia militar | Reservas suficientes para suprir 25% da demanda mundial |
| Urânio | Fonte de energia nuclear e aplicações militares | Uma das maiores reservas conhecidas do planeta |
| Rotas Marítimas | Redução de 40% no tempo entre Ásia e Europa | Posição estratégica no Ártico abre novas passagens comerciais |
| Defesa Militar | Rota direta entre Rússia e EUA para mísseis balísticos | Base de Thule monitora espaço aéreo russo 24/7 |
Como o degelo está mudando as rotas marítimas globais?
Com o gelo do Ártico recuando, uma nova “rodovia” marítima começou a se abrir: a rota do norte, e no futuro, uma rota transpolar passando literalmente “por cima” do mundo. Essa passagem pode encurtar em até 40% a viagem entre Ásia e Europa.
Isso significa menos tempo, menos combustível e até ameaça à relevância do Canal do Panamá em alguns trajetos. Nesse contexto, a China se apresenta como um “estado perto do Ártico” e busca construir portos e aeroportos na Groenlândia, o que desperta reação direta dos Estados Unidos, interessados em impedir que rivais controlem esses novos caminhos.

Por que a Groenlândia é vital para a defesa americana?
Quando se olha o globo, a Groenlândia aparece exatamente na rota mais curta entre Moscou e Washington. Em um cenário de guerra nuclear, mísseis lançados da Rússia em direção aos Estados Unidos passariam sobre a região, o que torna a ilha vital para sistemas de alerta.
Por isso, os EUA mantêm desde a Segunda Guerra Mundial a base aérea de Thule, sua instalação mais ao norte, com radares que monitoram o espaço aéreo russo em tempo integral. No meio dessa disputa, estão cerca de 56 mil habitantes, em grande parte Inuit, convivendo com o derretimento do gelo, a pressão por mineração e a discussão sobre independência financiada por recursos naturais.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)