O polêmico caso da ilha que matou todos os “predadores” e ressuscitou um ecossistema
Localizada em uma região subantártica remota, a Ilha Macquarie passou por uma grande operação de erradicação de coelhos, ratos e camundongos entre 2007 e 2014
Localizada em uma região subantártica remota, a Ilha Macquarie passou por uma grande operação de erradicação de coelhos, ratos e camundongos entre 2007 e 2014, o que desencadeou um processo rápido de recuperação ambiental e levou à adoção de rígidas medidas de biosegurança para impedir novas invasões biológicas.
O que foi a recuperação ambiental da Ilha Macquarie?
A recuperação ambiental da Ilha Macquarie exigiu um conjunto de ações implementadas para restaurar o equilíbrio ecológico após séculos de impactos causados por coelhos, ratos e camundongos introduzidos por humanos.
Esses animais consumiam plantas nativas, atacavam invertebrados e predavam ovos e filhotes de aves marinhas, aumentando a erosão e os deslizamentos em encostas frágeis.
Para reverter esse quadro, foi estruturado um programa de erradicação de pragas entre 2007 e 2014, com uso combinado de iscas aéreas, calicivírus e cães farejadores em toda a ilha. Após anos sem registros de novos indivíduos, Macquarie foi declarada livre de coelhos, ratos e camundongos.

Como o ecossistema da Ilha Macquarie reagiu à recuperação?
A resposta do ambiente foi rápida em várias áreas, com encostas antes quase nuas sendo reconquistadas por gramíneas nativas e megaforbs, típicas de ilhas frias do sul.
Em muitos trechos, os tufos vegetais passaram a proteger o solo do vento e da chuva, reduzindo a incidência de deslizamentos que atingiam colônias de pinguins e ninhos de albatrozes em encostas íngremes.
A nova cobertura vegetal criou micro-hábitats usados por insetos, invertebrados terrestres e pequenas aves, ampliando a oferta de alimento para predadores nativos.
Quais medidas de biosegurança protegem a Ilha Macquarie hoje
Após a erradicação, o foco passou a ser a biosegurança na Ilha Macquarie, com protocolos rigorosos para impedir a reintrodução de roedores, insetos exóticos e plantas invasoras.
Toda carga destinada à ilha é inspecionada em múltiplas etapas, com cães treinados atuando em navios, contêineres e equipamentos antes do embarque e na chegada, reduzindo a chance de infiltrações.
Equipes recebem treinamento contínuo em armazenamento de alimentos, manejo de resíduos e inspeções de rotina, apoiadas por armadilhas, câmeras e relatórios padronizados para qualquer indício de espécies não nativas.
Quais são os desafios atuais da Ilha Macquarie
Mesmo com a recuperação em andamento, novos desafios surgem, como o declínio de populações específicas, a exemplo de pinguins-gentoo, cuja causa ainda é investigada.
Pesquisas analisam fatores como disponibilidade de alimento no mar, alterações na temperatura da água, mudanças na cobertura de gelo e possíveis efeitos indiretos das mudanças climáticas na região subantártica.
Outro ponto de preocupação é o risco de influenza aviária de alta patogenicidade, que já afetou aves marinhas em outras partes do mundo. Em um ambiente isolado como Macquarie, um surto pode atingir colônias inteiras de pinguins e albatrozes.

Quais lições práticas a experiência da Ilha Macquarie oferece
A trajetória recente da ilha evidencia alguns componentes essenciais para a restauração de ilhas oceânicas, especialmente quando envolvem espécies invasoras e ecossistemas frágeis.
Esses elementos vêm sendo usados como referência por gestores ambientais em outros arquipélagos do hemisfério sul e em programas internacionais de conservação da biodiversidade.
- Planejamento integrado: articular manejo de pragas, restauração da vegetação e biosegurança em um único programa contínuo.
- Monitoramento de longo prazo: acompanhar vegetação, fauna e parâmetros climáticos mesmo após a erradicação declarada.
- Uso de múltiplas ferramentas: combinar iscas aéreas, vírus específicos, cães de detecção e vigilância remota.
- Prevenção permanente: priorizar barreiras à reintrodução de espécies exóticas em vez de novas campanhas de erradicação.
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