O musgo que desafiou o vácuo e sobreviveu 9 meses no espaço
A resistência de certas formas de vida em ambientes extremos intriga pesquisadores que estudam a colonização além da Terra
A resistência de certas formas de vida em ambientes extremos intriga pesquisadores que estudam a colonização além da Terra.
Entre esses organismos, o musgo se destaca como candidato promissor para apoiar missões espaciais de longa duração. Experimentos com esporos expostos ao vácuo demonstram um potencial surpreendente de sobrevivência e adaptação.
O que torna o musgo no espaço tão relevante para a ciência
O musgo Physcomitrella patens é uma espécie pioneira, comum em solos úmidos e instáveis, capaz de colonizar rapidamente novos ambientes. Sua simplicidade biológica, aliada à alta tolerância a estresse, o torna ideal para testes em condições extremas.
Antes de ir à Estação Espacial Internacional (ISS), seus esporos foram expostos em laboratório a vácuo parcial, falta de oxigênio, baixas temperaturas e intensa radiação ultravioleta. Mesmo assim, mantiveram viabilidade suficiente para justificar o envio à órbita baixa.

Como foi realizado o experimento com musgo no espaço
Na ISS, recipientes com esporos foram fixados na parte externa da estação por cerca de nove meses. Lá, enfrentaram vácuo quase total, radiação cósmica e grandes variações de temperatura, sem qualquer proteção atmosférica.
Ao retornarem à Terra, os pesquisadores compararam as amostras espaciais com controles mantidos em laboratório. A análise focou na taxa de germinação, possíveis danos ao DNA e capacidade de retomar o ciclo de vida em condições adequadas de água e luz.
Quais foram os resultados de sobrevivência dos esporos
Em condições normais de laboratório, os esporos de Physcomitrella patens chegam a cerca de 97% de germinação. Após a exposição espacial, aproximadamente 86% ainda conseguiram germinar, indicando danos, mas também notável resiliência.
Esse desempenho sugere que estruturas reprodutivas de alguns vegetais suportam viagens prolongadas no espaço. A possibilidade de reviver após retorno à água e temperaturas adequadas reforça estudos sobre viagens interplanetárias e panspermia.
De que forma o musgo no espaço pode apoiar futuras missões
Pesquisadores veem o musgo como parte de sistemas ecológicos fechados em bases lunares, marcianas ou naves de longa duração. Suas funções naturais podem reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra.
Entre as aplicações potenciais do musgo em habitats extraterrestres, destacam-se funções essenciais para o suporte de vida, como:
- Geração de oxigênio: fotossíntese para renovação do ar em módulos fechados.
- Controle de umidade: retenção eficiente de água, ajudando a estabilizar o microclima.
- Formação de solo: contribuição para criar substrato inicial para outras plantas.
O canal Marion Kerr contou a história da sobrevivência desse musgo:
Esses experimentos aproximam a colonização de outros planetas
Testes com musgo, sementes e microrganismos mostram que certos organismos resistem ao espaço por longos períodos. Isso é crucial para projetar ecossistemas artificiais e avaliar riscos de contaminação entre planetas.
A grande diferença entre a fragilidade humana e a robustez de esporos reforça a necessidade de sistemas biológicos de suporte de vida. Em cenários futuros, coleções de organismos resistentes, incluindo musgos, podem iniciar ambientes habitáveis além da Terra.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)