O animal “blindado” que está desafiando tudo o que a ciência sabia sobre a vida no oceano
Entre as criaturas que habitam o fundo do mar, o caracol-do-vulcão destaca-se por sobreviver em fontes hidrotermais profundas
Entre as criaturas que habitam o fundo do mar, o caracol-do-vulcão destaca-se por sobreviver em fontes hidrotermais profundas, sob alta pressão, acidez e temperaturas extremas, usando metais do ambiente para se proteger e sustentar uma vida baseada em processos químicos, não em fotossíntese.
O que é o caracol-do-vulcão e onde ele vive?
O caracol-do-vulcão (Chrysomallon squamiferum) é um molusco marinho que vive em completa escuridão, entre 2,4 mil e 2,9 mil metros de profundidade no oceano Índico. Ele é um dos poucos animais adaptados de forma tão extrema a ambientes vulcânicos abissais.
Essa espécie habita campos hidrotermais como Kairei e Solitaire, onde chaminés liberam fluidos superaquecidos e ricos em minerais. Esses locais são considerados análogos a ambientes possivelmente envolvidos na origem da vida na Terra.
En 2001, una expedición científica descubrió un caracol que vive en volcanes submarinos y chimeneas hidrotermales en el fondo del océano, que lleva una armadura de hierro sobre su concha y que no necesita comer para vivir. Es el Chrysomallon squamiferum. Tira el hilo 🧵👇🏽👇🏽👇🏽 pic.twitter.com/oV6THFaV0a
— Iván Fernández Amil (@ivanfamil) February 19, 2026
Como é o ambiente extremo onde essa espécie sobrevive?
Nas fontes hidrotermais, a água quente e ácida, carregada de metais, encontra a água fria do oceano profundo. Essa interação forma depósitos metálicos, nuvens de partículas e gradientes químicos intensos.
O ambiente apresenta pouco oxigênio, alta pressão, acidez elevada e forte atividade vulcânica. Apesar disso, comunidades complexas de organismos, incluindo o caracol-do-vulcão, prosperam com base em energia química.
O que torna a armadura do caracol-do-vulcão única?
A principal característica dessa espécie é a “armadura” mineral que recobre a concha e partes moles, formada por sulfetos de ferro. Essa couraça funciona como escudo contra predadores e contra o ambiente corrosivo.
A concha possui camadas distintas com material orgânico e minerais como pirita e gregita. Em alguns indivíduos, o revestimento é parcialmente magnético, o que é extremamente raro no reino animal e inspira pesquisas em novos materiais.
Como o caracol-do-vulcão obtém energia e minerais?
Em vez de se alimentar de forma convencional, o caracol abriga bactérias simbióticas em uma glândula interna muito ampliada. Essas bactérias realizam quimiossíntese, usando compostos químicos dos fluidos hidrotermais para produzir energia.
O ambiente ao redor das fontes fornece elementos para a mineralização e para o metabolismo. A interação entre química local, bactérias e fisiologia do animal pode ser resumida em pontos-chave:
- Ambiente vulcânico: libera íons de ferro e enxofre usados na couraça.
- Bactérias simbióticas: convertem compostos tóxicos em energia e nutrientes.
- Glândula interna: concentra nutrientes e minerais para o crescimento da concha.
- Concha mineralizada: aumenta a resistência a temperatura, acidez e pressão.
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O que a genética e a conservação revelam sobre essa espécie?
Estudos genômicos identificaram genes ligados à formação de minerais de ferro e à tolerância a metais, incluindo proteínas de tolerância metálica altamente expressas em populações com conchas mais ricas em sulfeto de ferro. Há também expansões gênicas associadas a estresse químico e resposta imune.
Apesar da armadura resistente, o caracol-do-vulcão está listado como “em perigo” pela IUCN, devido ao interesse na mineração de sulfetos polimetálicos em campos hidrotermais. Proteger essa espécie tornou-se um teste de como equilibrar exploração mineral, inovação tecnológica e conservação dos ecossistemas profundos.
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