Nesse deserto a carne cozinha sozinha na areia em 2 horas e você vai entender o por quê
No Irã, temperaturas de 70 graus na superfície criam cenário de sobrevivência extrema
Em pleno século XXI, ainda existem lugares na Terra que parecem ignorar qualquer limite humano, e o deserto de Lut, no Irã, é um dos mais extremos. Ali, pesquisadores medem temperaturas que beiram o inimaginável, testando a tecnologia, a resistência física e até algumas certezas científicas sobre onde a vida consegue existir.
O que torna Lut o lugar mais quente do planeta?
O canal Documentários Ruhi Çenet, com 17,7 milhões de inscritos, explora esse deserto que ganhou fama mundial quando dados de satélite da NASA registraram, em 2005, uma temperatura de superfície de 70,7 °C. Estudos publicados em 2021 já estimam picos de até 80,8 °C.
A região mais extrema, conhecida como Gandom Beryan, é um planalto recoberto por rochas vulcânicas escuras que absorvem grande parte da radiação solar. Cercada por montanhas e em baixa altitude, a área quase não permite que o ar quente escape, criando uma espécie de caldeirão atmosférico permanente.
Como é atravessar um lugar onde o chão chega a 70 graus?
A expedição revela desafios extremos desde o início da jornada:
- A equipe parte de um oásis onde o ar ainda fica “apenas” em torno de 37 °C
- Reduz a pressão dos pneus e encara horas de estrada em terreno acidentado
- A superfície já bate algo em torno de 63 °C no começo do trajeto
- Termômetros de laser, mercúrio e imersão começam a falhar um a um
Conforme o grupo se aproxima das zonas mais baixas e quentes, qualquer parte do corpo exposta se torna um risco real, e até o ato de respirar passa a ser desconfortável. Equipamentos precisam ser resfriados o tempo todo para não queimar diante do calor extremo.
Quais são as curiosidades incríveis sobre temperaturas no deserto?
No ponto mais crítico, os equipamentos registram valores próximos aos da NASA: termômetros chegam a 69,2 °C na superfície, enquanto o ar na sombra passa dos 48,5 °C. Nessa faixa, até segurar objetos metálicos sem luvas se torna quase impossível.
As situações do dia a dia ganham outro significado nesse ambiente. Um sapato começou a derreter após contato prolongado com o solo em torno de 70 °C, enquanto fatias de carne foram “cozidas” diretamente na areia em cerca de duas horas. O plástico de um celular deixado no chão derreteu nas bordas em poucos minutos.

Existe vida em um ambiente tão extremo assim?
A tabela abaixo resume as espécies encontradas no deserto de Lut:
Durante muito tempo, circulou a ideia de que nenhuma forma de vida conseguiria sobreviver nas áreas mais quentes de Gandom Beryan. A expedição mostra que essa afirmação não é totalmente precisa e registra animais mesmo em horários de calor intenso, além de restos de gafanhotos completamente secos, preservados pelo ar extremamente árido.
Como o calor extremo muda a paisagem e a experiência humana?
O deserto também impressiona pelas formas esculpidas pelo vento: torres de areia e rocha, chamadas de kaluts, chegam a 150 m de altura e se estendem por dezenas de quilômetros. Em alguns pontos, dunas e elevações se organizam em fileiras paralelas, desenhando corredores que confundem a noção de direção.
Entre calor, miragens e perda de referência visual, relatos de caravanas antigas falam em camelos ajoelhando de exaustão e cargas de trigo que teriam sido encontradas já torradas pelo solo escaldante. As histórias do deserto de Lut mostram apenas uma parte das surpresas que o planeta guarda em regiões pouco exploradas.
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