Mudanças climáticas ajudaram os ursos-polares a “engordar”
Os ursos-polares do arquipélago de Svalbard, no Ártico, vêm chamando a atenção de cientistas pela condição física aparentemente estável
Os ursos-polares do arquipélago de Svalbard, no Ártico, vêm chamando a atenção de cientistas pela condição física aparentemente estável ou até melhorada, mesmo em um cenário de aquecimento global e forte redução do gelo marinho.
Como está a condição física dos ursos-polares em Svalbard?
Para avaliá-la, pesquisadores usam o índice de condição corporal, que combina medidas de comprimento e circunferência para estimar gordura e forma física geral.
Em Svalbard, mais de mil registros entre o início da década de 1990 e 2019 mostram que, após 2000, o índice médio de gordura aumentou.
Esse resultado contrasta com outras regiões do Ártico, onde a perda de gelo marinho está ligada a ursos mais magros e em pior forma. Em Svalbard, a combinação de menos gelo e animais mais gordos desafia previsões anteriores e sugere fatores locais específicos, ainda em investigação.

De que forma a perda de gelo marinho afeta os ursos-polares?
O urso-polar em Svalbard depende historicamente do gelo marinho como plataforma de caça, principalmente de focas. Com o aquecimento do Mar de Barents, aumentou o número de dias sem gelo ao longo de quase três décadas, o que teoricamente dificultaria a alimentação.
Ainda assim, o estado corporal dos animais não piorou no mesmo ritmo da transformação do ambiente. Especialistas levantam hipóteses como mudanças na distribuição de presas e maior uso de áreas costeiras e terrestres, indicando um processo de adaptação comportamental em curso.
Quais fatores podem explicar a aparente melhora na saúde dos ursos-polares?
Para entender por que a população de ursos-polares de Svalbard parece estável e fisicamente mais robusta, cientistas observam mudanças no ecossistema local.
Espécies antes muito caçadas, como renas e morsas, mostram recuperação populacional, ampliando opções de presas terrestres e costeiras.
Outra hipótese é a redistribuição das focas: com menos gelo espalhado, esses animais podem se concentrar em áreas menores de gelo, tornando a caça mais eficiente em certos períodos. Assim, o urso-polar do Ártico em Svalbard pode estar explorando uma dieta mais diversificada e flexível.
Quais fatores ambientais ajudam a entender essa adaptação?
Os pesquisadores destacam que a resposta dos ursos-polares às mudanças climáticas depende de interações entre alimento, gelo e comportamento. Em Svalbard, essas interações criam, por enquanto, um cenário menos negativo que o previsto, com novas oportunidades de alimentação.
Entre os fatores que parecem favorecer essa adaptação parcial, destacam-se:
- Mais presas em terra firme: renas e morsas em recuperação populacional.
- Concentração de focas: áreas menores de gelo, porém potencialmente mais ricas em alimento.
- Adaptação comportamental: uso combinado de ambientes terrestres e marinhos.
Sleeping polar bear on an iceberg off Norway's Svalbard Archipelago
— Nature is Amazing ☘️ (@AMAZlNGNATURE) March 1, 2025
📸: Nima Sarikhani pic.twitter.com/DGvVXqQsU1
Quais são os riscos futuros para os ursos-polares em um Ártico mais quente?
Apesar dos resultados atuais, pesquisadores alertam que esse quadro pode ser temporário. A continuidade da perda de gelo marinho tende a aumentar distâncias de deslocamento entre áreas de descanso e caça, elevando o gasto energético e o risco de escassez alimentar.
Entre os principais desafios previstos estão as possíveis mudanças drásticas no ecossistema do Mar de Barents e o aumento de conflitos com atividades humanas em áreas costeiras.
O caso de Svalbard funciona como um laboratório natural, e o monitoramento nas próximas décadas será decisivo para entender se a boa condição física observada hoje será mantida ou dará lugar a sinais de estresse ambiental.
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Comentários (1)
Pedro Andrade Bariani
31.01.2026 18:17Aquecimento global ou mudanças climáticas não existem na forma como é divulgada. O homem não tem poder para alterar o clima e na verdade estamos entrando em uma mini era glacial. Vejam o ganho de gelo na Antártida.