Marco Aurélio: “Se algo externo te aflige, a dor não é causada pela coisa em si, mas pela sua apreciação por ela”
Na perspectiva estoica, emoções intensas surgem quando algo externo é tratado como ameaça absoluta, perda irreparável ou ofensa pessoal.
A reflexão de Marco Aurélio (Roma, 26 de abril de 121 – Vindobona ou Sirmio, 17 de março de 180) sobre a relação entre fatos e interpretações costuma ser citada como um dos eixos centrais do estoicismo.
A ideia de que o sofrimento não nasce apenas dos acontecimentos, mas principalmente da leitura que a mente faz deles segue atual em debates sobre equilíbrio emocional, saúde mental e gestão de conflitos, especialmente em um mundo marcado por pressa, sobrecarga de estímulos e expectativas elevadas.
Estoicismo e o que está sob nosso controle
A filosofia estoica parte de uma separação simples, mas exigente: de um lado, aquilo que pode ser conduzido pela própria pessoa, como atitudes, decisões e julgamentos; de outro, os fatores externos, como o comportamento alheio, o acaso e as mudanças inesperadas.
“”Se algo externo te aflige, a dor não é causada pela coisa em si, mas pela sua apreciação por ela””
A frase de Marco Aurélio que afirma que o problema está mais no julgamento do que no fato se encaixa diretamente nessa divisão, pois desloca o foco da circunstância para o modo de interpretar.
Na perspectiva estoica, emoções intensas surgem quando algo externo é tratado como ameaça absoluta, perda irreparável ou ofensa pessoal.
O treinamento proposto consiste em observar esse primeiro impulso mental e questioná-lo: o que realmente aconteceu e que parte do incômodo vem das suposições, medos ou expectativas criadas em torno do fato, diminuindo assim o peso atribuído à situação.
Por que a frase de Marco Aurélio ainda importa em 2025
Em um cenário marcado por redes sociais, notícias em tempo real e comparações constantes, a frase de Marco Aurélio ganha relevância renovada.
Comentários, avaliações e imagens chegam em grande volume, estimulando interpretações rápidas e dramáticas, o que torna necessário um “freio interno” antes de reagir a qualquer estímulo.
Especialistas em gestão emocional apontam que a forma de pensar influencia diretamente a intensidade das emoções.
Essa ideia ecoa no estoicismo, que já defendia a revisão de pensamentos automáticos para preservar a serenidade, aproximando-se hoje de abordagens usadas na psicologia cognitiva e em práticas de terapia voltadas à reestruturação de crenças.
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“Lembra-te de que muito em breve não serás mais ninguém e não estarás em parte alguma, e que tudo o que vês agora, e todos os que agora vivem, também já não existirão”.
— Prof. Antônio Menrod (@dommenrod) December 3, 2025
Marco Aurélio, imperador romano. pic.twitter.com/KcTrlo7qMK
Como aplicar o pensamento de Marco Aurélio no dia a dia
A aplicação prática da filosofia estoica aparece em situações simples, como um atraso, uma crítica ou um plano que não saiu como esperado.
Em vez de tratar o contratempo como desastre, a pessoa pode ajustar a narrativa interna e reduzir a carga emocional, usando pequenas intervenções no modo de pensar em vez de longos discursos motivacionais.
Alguns passos objetivos ajudam a transformar o ensinamento filosófico em ação cotidiana, servindo como um roteiro para treinar a mente a separar fatos de interpretações e escolher respostas mais equilibradas.
- Identificar o fato bruto: descrever apenas o que ocorreu, sem adjetivos.
- Reconhecer a interpretação: perceber quais pensamentos foram anexados ao fato.
- Avaliar a utilidade dessa leitura: perguntar se ela ajuda a agir de forma equilibrada.
- Buscar outra perspectiva: considerar explicações alternativas e significados diferentes.
Essa sequência pode ser organizada em passos simples, como parar por alguns segundos antes de reagir, separar o acontecimento do comentário mental e escolher uma resposta alinhada ao que depende da própria pessoa, como a conduta, o tom e o tipo de ação adotada.
O lugar da serenidade estoica na rotina moderna
O pensamento de Marco Aurélio costuma ser associado à serenidade, entendida não como ausência de problemas, mas como capacidade de manter certa estabilidade diante de mudanças.
Em 2025, com agendas cheias, excesso de tarefas e conflitos de opinião, essa estabilidade depende menos do ambiente e mais da forma como cada um organiza internamente o que vive.
Práticas como atenção plena, exercícios de respiração e registros escritos de pensamentos dialogam com essa tradição antiga, pois todas criam um espaço entre o estímulo e a resposta.
A frase estoica de Marco Aurélio funciona como lembrete de que esse espaço existe e pode ser ampliado com treino, permitindo respostas mais ponderadas e uma convivência menos marcada por reações impulsivas.
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