Maior tatu do mundo é flagrado tomando banho de lama tranquilamente em MG
Entenda por que esse animal é tão importante para o equilíbrio ecológico do Cerrado e Pantanal
Entre os mamíferos mais discretos da fauna brasileira, o tatu-canastra chama atenção pelo tamanho e pelo comportamento curioso, sobretudo quando é visto interagindo com a lama em áreas naturais.
Essa espécie, considerada o maior tatu do mundo, costuma ser associada a ambientes preservados e, por isso, sua presença desperta interesse de pesquisadores, fotógrafos de natureza e moradores locais, especialmente no estado de Mato Grosso, onde registros em banhos de lama se tornaram importantes aliados para entender melhor seu modo de vida.
O que é o tatu-canastra e quais são suas principais características?
O tatu-canastra (Priodontes maximus) é um mamífero terrestre que pode ultrapassar um metro de comprimento e pesar mais de 50 quilos. Sua carapaça resistente, formada por placas ósseas, funciona como proteção contra predadores naturais e contra impactos durante a escavação de tocas profundas, onde encontra alimento e abrigo.
As garras dianteiras são longas e fortes, adaptadas para cavar buracos em busca de formigas, cupins e outros invertebrados, embora também possa consumir pequenos vertebrados e ovos. Essas características fazem do tatu-canastra uma espécie-chave para a dinâmica do solo e dos ecossistemas em que está presente, sendo frequentemente chamado de “engenheiro do ecossistema”.
Por que o tatu-canastra toma banhos de lama em Mato Grosso?
As cenas de um tatu-canastra na lama, comuns em áreas úmidas do Cerrado e do Pantanal de Mato Grosso, revelam mais do que um simples “brincar”. Ao se rolar ou permanecer em poças lamacentas, o animal utiliza a lama para controlar a temperatura corporal em dias quentes, formando uma camada que reduz o aquecimento excessivo em ambientes abertos.
O banho de lama também atua como barreira física contra parasitas externos, como carrapatos e insetos hematófagos. Ao secar no corpo do tatu, a lama pode desprender-se junto com parte desses organismos, reduzindo incômodos e riscos de doenças, o que é especialmente importante em regiões com áreas alagadas, veredas, baías e margens de rios.
Confira o vídeo do animal:
Que cena maravilhosa!
— Sidnelson (@SidnelsonEu) December 8, 2025
Um tatu-canastra na maior diversão NA LAMA no estado do Mato Grosso. 😅 pic.twitter.com/uFBFsAviDq
Onde o tatu-canastra vive em Mato Grosso e quais habitats utiliza?
No estado de Mato Grosso, o tatu-canastra ocorre principalmente no Pantanal mato-grossense e em extensas áreas de Cerrado. No Pantanal, costuma utilizar cordilheiras mais altas e secas, bordas de baías e matas ciliares, onde encontra solos adequados para cavar e boa oferta de alimento, em paisagens ainda relativamente contínuas.
Nas áreas de Cerrado, o animal é observado em campos, cerradões e matas de galeria, geralmente associado a locais com menor pressão humana. Estudos com armadilhas fotográficas, rastreamento por GPS e relatos de moradores indicam que a espécie necessita de grandes extensões de área contínua, e que o desmatamento e a fragmentação podem limitar seus deslocamentos e reduzir pontos de ocorrência.
Quais são as principais ameaças ao tatu-canastra e como mitigá-las?
O tatu-canastra é listado em categorias de ameaça devido à perda e degradação de habitat, caça ilegal e atropelamentos em estradas. Em estados com forte expansão agropecuária, como Mato Grosso, a conversão de áreas naturais em lavouras ou pastagens diminui a disponibilidade de refúgios e locais adequados para a escavação de tocas, afetando diretamente a sobrevivência da espécie.
A baixa taxa reprodutiva agrava esse cenário, pois o tatu-canastra tem poucos filhotes por ninhada e longos intervalos entre reproduções, tornando a recuperação populacional lenta. Para enfrentar esse quadro, diferentes setores da sociedade podem adotar ações práticas de conservação que envolvem proteção de área, manejo de paisagem e sensibilização ambiental, como as listadas a seguir:
- Preservar grandes extensões contínuas em unidades de conservação e reservas particulares.
- Implantar corredores ecológicos que conectem fragmentos de habitat usados pela espécie.
- Realizar campanhas contra a caça, o tráfico de fauna e o abate por conflito com atividades rurais.
- Monitorar atropelamentos e instalar passagens de fauna e cercas direcionadoras em rodovias críticas.
- Fortalecer projetos de ciência cidadã que registrem avistamentos de tatu-canastra na lama e em outros ambientes.

Qual é a importância ecológica do tatu-canastra na natureza?
O papel ecológico do tatu-gigante vai além do consumo de formigas e cupins. Ao abrir tocas profundas, que podem atingir vários metros de comprimento, o animal cria ambientes subterrâneos com temperatura e umidade mais estáveis, utilizados como refúgio por pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e até aves, especialmente durante secas intensas, queimadas ou ondas de frio.
A escavação constante revolvendo o solo ajuda na aeração, na infiltração de água e na ciclagem de nutrientes, além de favorecer a dispersão de sementes em certas áreas. Registros visuais de tatu-canastra na lama em Mato Grosso, obtidos por armadilhas fotográficas ou observadores de campo, complementam estudos genéticos e de uso de habitat, permitindo avaliar a saúde das populações e apontar áreas prioritárias para garantir a permanência da espécie nos ecossistemas do Cerrado e do Pantanal.
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